“É mentira”: Autoridades russas concluem que Navalny morreu de “doença combinada”, mas mulher desconfia e exige documentos oficiais

As autoridades russas concluíram na investigação feita que Alexei Navalny, o principal opositor de Vladimir Putin, morreu devido a uma combinação de doenças agravadas por arritmia, descartando assim a necessidade de abrir uma investigação criminal.

Pedro Zagacho Gonçalves

As autoridades russas concluíram na investigação feita que Alexei Navalny, o principal opositor de Vladimir Putin, morreu devido a uma combinação de doenças agravadas por arritmia, descartando assim a necessidade de abrir uma investigação criminal. No entanto, a viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, não acredita nesta explicação e exige que as autoridades russas libertem todos os relatórios médicos e devolvam os pertences do marido, incluindo os diários que mantinha na prisão e uma cruz que o acompanhou desde a sua detenção.

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Num comunicado publicado online, Yulia Navalnaya revelou que recebeu um documento de três páginas do Comité de Investigação da Rússia, que concluiu não haver motivos para uma investigação criminal sobre a morte de Navalny, ocorrida numa prisão remota no Ártico, onde estava detido desde 2021.

“Estamos a falar de um homem que estava sob vigilância constante na prisão, um político reconhecido internacionalmente, o líder da oposição, e que de repente morre devido a uma ‘doença combinada'”, declarou Navalnaya, classificando o relatório como uma “mentira”. A viúva acusa as autoridades russas de ocultarem a verdade sobre o que realmente aconteceu no dia da morte de Navalny.

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Yulia Navalnaya tem repetidamente solicitado acesso aos relatórios médicos completos e aos pertences do marido, mas até agora só foi informada de que teria de esperar pelo término da investigação, agora oficialmente encerrada.

Para Navalnaya, a explicação oferecida pelas autoridades russas não é credível. A viúva acredita que o marido foi assassinado pelo Estado e que, enquanto Vladimir Putin permanecer no poder, o acesso a uma investigação imparcial e credível continuará a ser uma ilusão.

Recorde-se que, antes da sua detenção e posterior morte, Navalny foi alvo de um ataque com Novichok, um agente nervoso letal desenvolvido na União Soviética e frequentemente utilizado pelo KGB contra dissidentes. Após este envenenamento, Navalny conseguiu recuperar na Alemanha, mas decidiu regressar à Rússia, consciente de que seria detido assim que aterrasse em Moscovo. O Kremlin negou envolvimento no envenenamento de Navalny, tal como agora nega qualquer responsabilidade pela sua morte na prisão.

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