O stress crónico gera um desgaste no organismo humano ao longo da vida, de tal forma que aumenta as hipóteses de morte por cancro, de acordo com um novo estudo de investigadores norte-americanos.
O cancro é uma das principais causas de morte a nível mundial. Em 2020, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 10 milhões de pessoas morreram devido à doença. Nos EUA, é a segunda maior causa de morte e só no ano passado registaram-se mais de 1,9 milhões de casos. Em Portugal, em plena pandemia da Covid-19, o cancro do pulmão foi a 5.ª doença que mais matou, num total de 4317 mortes atribuídas à doença.
Segundo a nova investigação, publicada recentemente na publicação científica SSM Population Health, as pessoas com altos níveis de stress, que causa o desgaste no corpo conhecido como ‘carga alostática’, têm 2.4 mais hipóteses de morrer devido a um cancro do que indevidos que estejam expostos a níveis de stress inferiores.
“Como resposta aos agentes exteriores que causam o stree, o corpo liberta a hormona do stree, o cortisol e, quando o stress acaba, esses níveis devem voltar ao normal”, explica Justin Xavier Moore, epidemiologista da Universidade de Medicina da Geórgia, nos EUA, e um dos autores do estudo.
“No entanto, quando temos agentes de stress psicossocial contínuos e crónicos, que nunca permitem um alívio, então gera-se um desgaste no organismo ao nível biológico”, continua o médico.
O estudo analisou dados de 41 mil participantes do Inquérito Nacional de Exame à Saúde e Nutrição, conduzido entre 1988 e 2019. Em retrospetiva, foi calculada a carga alostática de cada participante, com base no índice de massa corporal, pressão arterial, níveis de colesterol, de hemoglobina, albumina, creatinina e proteína reativa C, uma medida de inflamação.
Foi definido que seria considerada uma carga alostática elevada nos participantes que tivessem uma pontuação superior a 3. Os dados destes participantes foram depois comparados com estatísticas nacionais de saúde e dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), para chegar aos que tinham ou não morrido com cancro.
“Examinar a associação entre a carga alostática e a prevalência de cancros, e como esta ligação pode variar, dará uma nova perspetiva para novas abordagens para mitigar as disparidades nas mortes por cancro”, adiantam os investigadores.
O risco 2.4 vezes superior de morrer de cancro foi calculado sem olhar a outros fatores como idade, sexo, etnia, riqueza e nível de escolaridade. Com a idade como fator, as pessoas com maior carga de stress tinham um risco de morrer de cancro 28% superior.
Olhando a fatores como o sexo, a etnia e o nível de educação, os participantes com mais stress tinham 21% mais hipóteses de morrer de cancro do que outros, em tudo semelhantes, mas sujeitos a menos stress.
Já com fatores de risco calculados, como participantes que fumam, que tiveram um ataque cardíaco anterior, ou que tinham já sido diagnosticados anteriormente com cancros ou problemas cardiovasculares, mesmo assim o risco de morte por cancro era mais elevado em quem sofria de muito stress: um aumento de risco de 14%, segundo o estudo.
Os investigadores querem agora perceber qual o mecanismo causal envolvido, que liga maiores níveis de stress a maior probabilidade de morrer de cancro.







