“É mais do que um boato”: Guarda Civil vê risco real de nova entrada em massa em Ceuta a 15 de agosto

As mensagens circulam em grupos de WhatsApp, Facebook e Instagram com centenas de milhares de membros e incluem referências ao dia 15 de agosto, acompanhadas de frases como “A nossa última oportunidade” ou “Tudo será revelado nesse dia”

Francisco Laranjeira

As autoridades espanholas estão a acompanhar de perto mensagens que circulam nas redes sociais e em aplicações de mensagens instantâneas a convocar uma nova entrada em massa de migrantes em Ceuta no próximo dia 15 de agosto, numa altura em que a cidade autónoma continua sob forte dispositivo de segurança após a crise migratória da semana passada.

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Segundo o jornal ’20 Minutos’, a Guarda Civil considera que as convocatórias são mais do que um simples rumor e confirmou estar a monitorizar várias publicações que apontam para Castillejos, no lado marroquino da fronteira, como ponto de encontro para uma nova tentativa de atravessar para território espanhol.

As mensagens circulam em grupos de WhatsApp, Facebook e Instagram com centenas de milhares de membros e incluem referências ao dia 15 de agosto, acompanhadas de frases como “A nossa última oportunidade” ou “Tudo será revelado nesse dia”.

O nome de alguns desses grupos faz referência ao termo “harraga”, utilizado no Norte de África para designar pessoas que tentam emigrar ou atravessar fronteiras de forma irregular.

Segurança reforçada

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Apesar dos alertas, fontes da Guarda Civil citadas pelo ’20 Minutos’ consideram pouco provável que uma nova entrada tenha a dimensão da registada há cerca de uma semana, quando dezenas de milhares de migrantes conseguiram atravessar para Ceuta.

As mesmas fontes sublinham que o dispositivo de vigilância é atualmente muito mais robusto e recordam que uma mobilização semelhante, anunciada para setembro de 2024, acabou por não se concretizar graças à coordenação entre Espanha e Marrocos.

Também o Ministério do Interior espanhol admite a possibilidade de uma nova tentativa de entrada em massa, garantindo que as autoridades estarão preparadas para responder.

Mais agentes e presença do Exército

Depois da crise migratória, Ceuta mantém reforços superiores a uma centena de agentes da Guarda Civil, que continuam a trabalhar em conjunto com a Polícia Nacional, sobretudo nas zonas consideradas mais sensíveis.

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A presença do Exército também foi mantida. Segundo fontes do Ministério da Defesa espanhol citadas pelo ’20 Minutos’, as unidades destacadas permanecerão em Ceuta enquanto o Ministério do Interior considerar necessário.

A Guarda Civil defende ainda o reforço permanente dos serviços de informação, o envio de pelo menos mais 200 agentes para a cidade, o alargamento das barreiras de proteção costeira e um maior envolvimento da União Europeia.

População continua apreensiva

O receio de uma nova tentativa de entrada em massa também é sentido pela população local.

O presidente de Ceuta, Juan José Vivas, admitiu esta semana que muitos habitantes continuam preocupados e encaram o dia 15 de agosto com receio. O porta-voz do governo da cidade autónoma, Alejandro Ramírez, reconheceu igualmente que, depois dos acontecimentos recentes, existe preocupação quanto ao que poderá acontecer nos próximos dias.

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Entretanto, outras fontes ouvidas pela televisão pública espanhola TVE admitem mesmo que qualquer nova tentativa possa ocorrer um ou dois dias antes da data que circula nas redes sociais, precisamente para tentar surpreender o dispositivo de segurança montado pelas autoridades espanholas.

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