A Apple prepara-se para aumentar os preços de vários dos seus produtos devido ao forte agravamento dos custos dos chips de memória e armazenamento, uma situação que a empresa considera cada vez mais difícil de absorver. O alerta foi deixado pelo diretor-executivo da tecnológica norte-americana, Tim Cook, numa entrevista ao The Wall Street Journal, numa altura em que a procura global por componentes destinados à inteligência artificial (IA) continua a pressionar toda a cadeia de fornecimento da indústria tecnológica.
Segundo Tim Cook, a escalada dos custos atingiu níveis que tornam inevitável uma revisão dos preços praticados pela empresa. “Infelizmente, o aumento dos preços é inevitável”, afirmou o responsável. “Estamos a fazer o possível para atenuar os fortes aumentos que nos estão a ser impostos e temos tentado proteger os nossos clientes, mas a situação tornou-se insustentável”, acrescentou.
Apesar de reconhecer a necessidade de aumentar preços, Cook recusou revelar quando entrarão em vigor os ajustamentos, qual será a dimensão dos aumentos ou que produtos serão diretamente afetados. O atual líder da Apple deixará o cargo de CEO em setembro, sendo substituído por John Ternus, encerrando uma liderança iniciada em 2011, após a morte de Steve Jobs.
Próximos iPhones podem atingir valores recorde
A perspetiva de preços mais elevados surge numa fase particularmente importante para a Apple, que se prepara para apresentar a nova geração dos seus smartphones.
De acordo com informações provenientes da cadeia de fornecimento da empresa, o lançamento do iPhone 18 Pro e do iPhone 18 Pro Max deverá acontecer durante o tradicional evento anual da marca, previsto para setembro. As mesmas fontes indicam que a nova linha poderá incluir o primeiro iPhone com ecrã dobrável da história da Apple.
A introdução desta tecnologia poderá, por si só, elevar significativamente o preço médio dos equipamentos. Algumas estimativas apontam para que a versão base do futuro modelo dobrável possa aproximar-se dos dois mil euros, colocando-o entre os smartphones mais caros alguma vez comercializados pela empresa.
Macs e iPads também poderão ficar mais caros
Os aumentos não deverão limitar-se aos iPhone. Segundo o The Wall Street Journal, os computadores Mac e os tablets iPad poderão ser afetados mais rapidamente pela subida dos custos dos componentes.
A Apple já começou a refletir esta pressão em alguns produtos. No mês passado, a empresa aumentou o preço de entrada do Mac Mini, num movimento interpretado por analistas como um primeiro sinal da estratégia que poderá vir a ser seguida noutras gamas.
Estimativas da consultora tecnológica TechInsights indicam que, caso a Apple transfira integralmente para os consumidores o aumento dos custos dos componentes e mantenha as atuais margens de lucro, o preço do próximo iPhone Pro poderá subir cerca de 270 dólares.
Inteligência artificial está a transformar o mercado dos chips
A origem desta pressão está diretamente relacionada com a corrida global à inteligência artificial.
As grandes tecnológicas têm vindo a investir milhares de milhões de dólares na construção e expansão de centros de dados capazes de suportar os novos modelos de IA, aumentando drasticamente a procura por chips especializados e por componentes de memória.
Como os maiores operadores tecnológicos têm prioridade no acesso à produção mundial destes componentes, os fabricantes de equipamentos destinados ao mercado de consumo enfrentam maiores dificuldades de abastecimento e custos significativamente mais elevados.
Os chips de memória e armazenamento são elementos essenciais em praticamente todos os dispositivos eletrónicos modernos, desde smartphones e computadores portáteis até automóveis e equipamentos industriais.
Preços quadruplicaram em apenas um ano
A pressão intensificou-se especialmente desde o ano passado, quando empresas como a Google, a Microsoft, a Meta e a Amazon anunciaram aumentos substanciais dos seus investimentos em infraestruturas para inteligência artificial.
Desde então, os preços dos chips de memória e armazenamento terão quadruplicado, segundo dados citados pela TechInsights. A consultora prevê ainda que esta tendência continue pelo menos até 2027.
Os chips de memória DRAM e os de armazenamento NAND desempenham funções distintas, mas igualmente fundamentais. A DRAM funciona como uma memória temporária utilizada para executar aplicações e processar tarefas em tempo real, enquanto a NAND assegura o armazenamento permanente de fotografias, vídeos, documentos e aplicações.
Na entrevista, Tim Cook destacou que ambas as categorias representam um desafio para a Apple, embora tenha salientado que a situação é particularmente crítica no mercado da DRAM, onde a procura ligada à inteligência artificial atingiu níveis excecionais.



