“É inevitável”: Água vai ficar mais cara para os portugueses, avança especialista

Filipe Duarte Santos, do Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, garantiu que o aproveitamento alternativo da água vai envolver processos dispendiosos de tratamento e isso vai refletir-se no bolso dos portugueses

Revista de Imprensa

Portugal deve preparar-se para um verão ainda mais seco do que em anos anteriores. “Se durante a primavera não houver precipitação, a situação torna-se ainda mais difícil”, alertou, esta quarta-feira, Filipe Duarte Santos, do Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, em declarações à rádio ‘Renascença’.

Escolha a Executive Digest como fonte preferida no Google Escolher ›

E isso vai ter reflexos no bolso dos portugueses. O aproveitamento alternativo das disponibilidades de água envolve processos dispendiosos de tratamento. “A água em Portugal não reflete o seu custo real”, avisou. Ou seja? “É inevitável” que a fatura da água fique mais pesada em Portugal.

“Se queremos evitar que haja uma escassez de água, teremos de fazer este percurso que outros países já fizeram, e estão a fazer, devido a essas alterações climáticas que provocam menos precipitação não só em Portugal, mas em Espanha, em Itália, na Grécia, todo o Mediterrâneo e noutras regiões do mundo”, avançou.

A Comissão Europeia já deixou o aviso: o verão de 2023 poderá ser mais seco do que os anteriores. E Portugal, nesta fase do ano, tem situações complicadas de pouca água. “Sobretudo no Barlavento do Algarve e na Costa alentejana”, onde “muitas barragens estão abaixo dos 30%, algumas abaixo de 20%” da sua capacidade, revelou o especialista.

“Grande parte das barragens do país”, frisou o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, “têm cotas de cerca de 70 e 80%, no Guadiana, por exemplo, ou nas regiões do norte e do centro”.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Um país não pode estar dependente das chuvas, defendeu Filipe Duarte Santos, pelo que é necessário investir na captação das chamadas “disponibilidades alternativas”, que incluem águas residuais tratadas para a agricultura, “que absorve 76% do total da água consumida em Portugal”, assim como estações de dessalinização, como as projetadas para o Algarve e para o Litoral Alentejano.

“Tudo isto leva um certo tempo a implementar, mas é o caminho a seguir”, garantiu, dando o exemplo de Espanha como um país “que está uns bons passos à frente de Portugal”. “Temos capacidade mas falta ainda legislação. Nisso estamos um pouco atrasados em relação a outros países”, apontou.

Por outro lado, Filipe Duarte Santos reconhece que o aproveitamento alternativo das disponibilidades de água implica processos dispendiosos de tratamento que vão repercutir-se no bolso dos consumidores.

“A água em Portugal não reflete o seu custo real”, alerta o professor universitário que explica que “a forma como se vai calcular o preço da água daqui para a frente – sabendo que a tendência é de maior escassez de água – é uma questão de natureza social e política”.

Mas Filipe Duarte Santos diz não ter ilusões. Questionado sobre a eventual inevitabilidade de uma fatura da água mais pesada para os portugueses, este especialista é taxativo: “é inevitável”.

Continue a ler após a publicidade

E justifica: “se nós queremos evitar que haja uma escassez de água, teremos de fazer este percurso que outros países já fizeram, e estão a fazer, devido a essas alterações climáticas que provocam menos precipitação não só em Portugal, mas em Espanha, em Itália, na Grécia, todo o Mediterrâneo e noutras regiões do mundo” onde os períodos de seca prolongados são uma constante.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.