“É importante o crescimento económico para garantir que as pessoas saem da pobreza social”, afirma o Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos

Gonçalo Saraiva Matias, Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, encerrou a XXIII Conferência Executive Digest, colocando em destaque a importância de gerar crescimento e valor para dar resposta aos problemas sociais em Portugal.

“Sentimos que é agora necessário agir com base em análises e estudos que realizamos”, diz Gonçalo Saraiva Matias, acrescentando que uma linha de raciocínio importante que a Fundação tem tido nos seus estudos é: “é importante o crescimento económico para garantir que as pessoas saem da pobreza social”.

“Mas não podemos distribuir a riqueza que não existe”, sublinha, explicando que atualmente em Portugal estão 4,4 milhões de pessoas em situação de pobreza sem as transferências sociais, com estas o numero desce para os 1,9 milhões. “São elas que estão a segurar a sociedade portuguesa.

Os estudos da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostram ainda que 20% das pessoas em situação de pobreza trabalham, situação que se justifica com situações familiares complexas, dívidas, problemas de saúde, entre outros. Para além destes números, de sublinhar que há ainda uma grande faixa da população que está no limiar da pobreza.

“O cenário é terrível, se estes são os números agora, imaginemos como será o cenário no próximo ano”, alerta, acrescentando que o “Call to Action” deve ser dirigido ao crescimento económico.

Para dar resposta, temos que ter valor acrescentado na produção de valor e de marcas e, para tal, é importante apostar na qualificação dos gestores e trabalhadores. “As qualificações dos gestores são muito baixas o que dificulta a gestão, o acesso ao financiamento, e o problema da retenção de talento, porque se um gestor não é qualificado não pode reter um colaborador qualificado”, explica.

Para além disso, destaca, é importante reforçar a ligação entre as universidades e as empresas, pois a Fundação sente que há ainda um grande distanciamento estre as duas.

Mas, “mais grave que as contas públicas é o défice demográfico. Prevê-se uma diminuição muito significativa da população, o que impacta diretamente no número de pessoas ativas e na sustentabilidade da segurança social”, diz.

No entanto, para Gonçalo Saraiva Matias uma das questões mais importantes é o “olhar para a emigração como uma política migratória”.

Atualmente há uma corrida global pelo talento para setores mais qualificados, mas o que é preciso fazer para atrair talentos? “Só se faz com salários? Não necessariamente. Portugal tem fatores de atratividade como a questão fiscal, ou ainda a política regulatória, ou seja, o agilizar de processos que permitam uma rápida integração do profissional no país”.

“A imigração é a única forma de ultrapassarmos isto, mas temos que ter uma política migratória correta”, remata o Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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