«É conciso, claro e raramente hesita.» O que diz a imprensa internacional sobre André Ventura

O deputado único do Chega faz manchete em Espanha. André Ventura é destacado no “El País”, que realça a ascensão do dirigente, que, em apenas um mês, quadruplicou as intenções de voto, abrindo «caminho para a ultra-direita no Parlamento em Portugal».

Ana Rita Rebelo

O deputado único do Chega faz manchete em Espanha. André Ventura é destacado no “El País”, que realça a ascensão do dirigente, que, em apenas um mês, quadruplicou as intenções de voto, abrindo «caminho para a ultra-direita no Parlamento em Portugal».

«É conciso, claro e raramente hesita» no Parlamento, onde tem minuto e meio para interpelar o primeiro-ministro. É assim que o jornal espanhol se refere a André Ventura, que mantém «boas relações» com o  partido de extrema-direita espanhol Vox Espanhol.

As últimas sondagens dão ao Chega 5% das intenções de voto, depois de nas legislativas de 6 Outubro, ter tido uma votação de 1,3%. «Não gosto da etiqueta [da extrema-direita], mas também não me interessa. O que somos é um partido anti-sistema», escreve o “El País”, citando o deputado português.

O jornal recorda o momento em que o presidente da Assembleia da República (AR), Ferro Rodrigues, «puxou as orelhas» a André Ventura, na passada quinta-feira, 12. Ferro Rodrigues acusou o dirigente do Chega de ofender o Parlamento por recorrer com «demasiada facilidades» às palavras «vergonha» e vergonhoso» nas suas intervenções durante os plenários.

André Ventura não gostou e pediu a palavra em «defesa da honra», argumentando que um deputado tem liberdade para intervir. E Ferro contrapôs: «Não há liberdade de expressão quando se ultrapassa a liberdade de expressão dos outros, que é o que faz a maior das vezes em que intervém».

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Depois de ter sido advertido pelo presidente da AR, André Ventura mandou afixar, no passado domingo à tarde, cartazes com a palavra «vergonha» em letras garrafais, mesmo ao lado do Parlamento.

Ontem, o vice-presidente do partido, Diogo Pacheco Amorim, defendeu em declarações ao “Público” que «a ideia de colocar mais cartazes está a ser ponderada pelo partido e visa reforçar a mensagem do deputado e presidente do Chega, André Ventura, que não se vai calar perante uma imposição arbitrária neste caso do presidente da Assembleia da República».

Além disso, o jornal espanhol chama a atenção para a sua conhecida retórica anti-cigana e algumas propostas do Chega, como a prisão perpétua, a castração química de pedófilos, a redução dos deputados no Parlamento e o fim da Constituição portuguesa de 1976. E afirma que Ventura «conseguiu escandalizar políticos e meios de comunicação ao juntar-se a uma manifestação de polícias», referindo-se ao protesto marcado pelos sindicatos da PSP e da GNR, no passado dia 21 de Novembro.

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Escreve ainda que Ventura, de 36 anos, estudou num seminário – e ia para padre até apaixonar-se – e foi professor de Direito. Entretanto, tornou-se conhecido como comentador na Benfica TV e no Correio da Manhã. Em 2017, foi candidato do PSD à Câmara de Loures. Perdeu mas foi eleito vereador. Depois, fundou o Chega, em Abril de 2019, e foi eleito deputado. 

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