Já não é só em Airbnb: há casos relatados na Associação de Alojamento Local Portuguesa em que são os próprios proprietários que encontram material de gravação escondido nos quartos, relata esta quinta-feira a ‘CNN Portugal’.
Há câmaras em carregadores de telemóvel, outras em relógios despertadores digitais ou até em tomadas: de forma despercebida, captam imagens, muitas delas íntimas, de forma não consentida e totalmente ilegal, relata Nuno Mateus-Coelho, professor de Cibersegurança na Universidade Lusófona e diretor do Laboratório de Cibersegurança LAPI2S.
“É comum acontecer no nosso país. Lamento dizer isto para quem não sabe. Em particular em zonas onde há um turismo muito mais ligado a jovens, de massas, que recebe pessoas que querem vir passar três, quatro dias de festas e de álcool e que estão completamente distantes de qualquer cuidado, de verificar o que é que o quarto tem ou deixa de ter”, salienta.
Esta prática, reforça, é comum noutros tipos de alojamento que não só os Airbnb, e, muitas vezes, escapa aos próprios proprietários, sendo os hóspedes a esconder o material de filmagem. “Há casos até relatados na Associação de Alojamento Local Portuguesa em que são os próprios proprietários que encontram este tipo de material”, reforça.
Este tipo de situações “passa além do anfitrião” e que, por vezes, são os próprios hóspedes “não só Airbnb, como também hotéis e residenciais low cost, aquelas casas de partilha e camarata, inclusivamente alguns hotéis de alguma categoria que instalam dispositivos dentro dos quartos, escondidos, alimentados por energia, muitas vezes alimentados por lâmpadas, nos tetos falsos”, onde pode ser instalado “um pequeno router 4G que, por sua vez, está ligado a uma câmara que tem um cartão pré-pago que é carregado nestas payshops, completamente omissas das autoridades”.
“Acho que nos dias de hoje continuarmos a esconder o lixo debaixo do tapete, não só é uma vergonha, como é nefasto tanto para a organização, como quem vive desta organização, que são muitos portugueses e muitos americanos. E é uma política que parece ser comum nestas grandes empresas de intermediação de serviços”, vinca.








