4 de Maio é apontado como o dia para o início de um regresso à normalidade em Portugal, que deverá passar pelo fim de algumas restrições. Segundo o jornal Observador, especialistas do Instituto Ricardo Jorge (INSA) mostram-se preocupados com essa possibilidade: não concordam com o levantamento das restrições, dizem que é cedo e que ainda não há margem para compensar um aumento do contágio.
Os peritos temem também que suavizar já as medidas tomadas pelo Governo possa levar a um aumento do número médio de pessoas infectadas por cada doente com COVID-19 – o chamado “R”. Já na semana passada, sublinha a mesma publicação, uma reunião entre os principais especialistas e figuras políticas de Portugal tinha determnado que é necessário reduzir o “R” para um valor abaixo dos 0,7 (seguindo o caso da Noruega). Só aí se poderia começar a pensar em reduzir as medidas de restrição.
Esta sexta-feira, porém, o valor do “R” em Portugal situava-se nos 0,9, segundo adiantou Baltazar Nunes, coordenador da Unidade de Investigação Epidemiológica do INSA, acrescentando que existem algumas variações de região para região. E o que significa isto? Se o valor for superior a 1, o surto tende a aumentar; se o valor for inferior a 1, a tendência é de redução do surto.
«O 0,7 dá uma maior folga na implementação de medidas do que o 0,9», explica Baltazar Nunes. Citado pelo Observador sublinha que «e se tivermos 0,5, ainda é melhor, por exemplo». No entanto, «depende muito das medidas que vierem a ser implementadas».
Ao suavizar a contenção, é natural que o valor do “R” suba, pelo que o importante será garantir que Portugal tem margem de manobra para suportar essa subida. Os actuais 0,9 não asseguram isso, de acordo com os peritos do INSA.
Ter capacidade para dar resposta a uma subida implica também olhar para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). «Se fizermos uma reabertura numa altura em que temos muitos indivíduos internados em cuidados intensivos, a nossa capacidade de folga vai ser menor. Se levantarmos as medidas numa fase em que tivermos menos indivíduos internados em cuidados intensivos, vamos ter uma folga maior. É preciso ter em atenção a capacitação do SNS, que deve ser levada em conta na fase de levantamento das medidas», indica ainda Baltazar Nunes.














