Na sua opinião, quais deviam ser as prioridades do novo Governo em termos de reformas para que Portugal tenha um crescimento sustentável para o futuro?
A grande reforma passa por assumir, definitivamente e sem complexos, uma postura amiga das empresas reconhecendo nestas o papel chave no crescimento e na geração de riqueza. Para o efeito, será necessário actuar em várias frentes, de forma concertada e articulada:
a) No robustecimento e agilização do ciclo da inovação, assegurando e maximizando a valorização do conhecimento;
b) Na minimização dos mais que identificados e inventariados custos de contexto que constituem um fardo retardador no desenvolvimento empresarial;
c) No incentivo à valorização do trabalho, promovendo a aproximação dos níveis salariais à média europeia;
d) Na afirmação de uma mensagem que seja mobilizadora e positiva que inverta no sentido positivo a cultura vigente anti-empresa;
e) Numa reforma do Estado, tornando-o menos operativo e cada vez mais regulador, fiscalizador e promotor da modernização e do progresso, retirando-se, sempre que possível, das actividades operacionais.
Atendendo ao actual contexto, que expectativas a nível macroeconómico para Portugal?
Pela sua dimensão e posicionamento geoestratégico e geopolítico o caminho de Portugal será essencialmente de nicho e aí numa aposta que deverá ser enquadrada em alianças estratégicas mais abrangentes, desde logo no contexto da União Europeia e da vocação atlântica.
O crescimento económico e a valorização da classe média – melhores salários – não podem deixar de ser as grandes expectativas com a consequente e desejada saída da cauda da Europa. Definitivamente, o turismo, ainda que importante e relevante, não pode ser a aposta nacional.
E assim a ambição tem que passar pelo reforço da produção de bens e serviços transaccionáveis, baseados na diferenciação que resulta da aplicação de conhecimento intensivo.
E quais são as expectativas para o seu sector?
À Saúde parece estar reservado um papel chave na modernização do perfil de especialização e de produção nacional, uma vez que:
a) Dispomos de boas condições para o efeito – ciência e conhecimento state-of-the-art global, mão-de-obra qualificada e empenhada, e um ecossistema harmonioso envolvendo a investigação, a produção e a prestação de cuidados;
b) Temos um potencial de crescimento fantástico para nos posicionarmos como test bed de referência nas mais modernas e inovadores tecnologias, desde logo na inteligência artificial, e como local competitivo para a realização de ensaios clínicos, nomeadamente nos de nova geração.
Falta-nos: crer, isto é, assumir este como um desígnio nacional a que todos se entregam; e, agir, para o que o inventário de necessidades e o desenho do caminho estão há muito feitos.
Nas etapas para lá chegar, contaremos com as infindáveis aplicações e utilizações de uma Smart Health massificada e generalizada, onde uma bem sucedida capacidade de atracção de investimento directo estrangeiro, quer em capital, quer na fixação de talento e de conhecimento, fará a diferença.














