“É a Rússia, não a Ucrânia, que precisa de uma desnazificação”, sublinha líder da banda russa ‘Pussy Riot’

Maria Alyokhina fugiu da Rússia esta semana disfarçada de distribuidora de refeições

Francisco Laranjeira

É a Rússia, não a Ucrânia, que precisa de uma desnazificação, segundo garantiu esta quinta-feira a líder da banda rock anti-Kremlin ‘Pussy Riot’, Maria Alyokhina, que se viu obrigada a deixar a Rússia esta semana depois de se ter disfarçado de distribuidora de refeições. A ativista, citada pela agência ‘Reuters’, garantiu que os russos precisam de pensar cuidadosamente sobre a guerra.

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“Não tenho ideia de qual será o final dessa reflexão, mas sem isso o país não tem o direito de existir – como a Alemanha após a II Guerra Mundial. É a Rússia onde deveríamos ter uma desnazificação, não a Ucrânia”, explicou, apelando à criação de um tribunal para julgar Vladimir Putin, assim como os generais e líderes do exército.

A Rússia chamou às suas ações na Ucrânia como uma “operação especial” para desarmar o país e protegê-lo dos facistas, tendo negado sempre ter alvos civis. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, recusou-se a comentar a observação de Maria Alyokhina.

Para ajudá-la a escapar da prisão domiciliar, Alyokhina usou um uniforme de entregador de refeições, que a sua namorada tinha comprado online, e saiu por uma porta traseira do prédio onde estava hospedada, iludindo a polícia russa o lado de fora.

Alyokhina garantiu que os seus compatriotas queriam mudanças mas que muitos estavam com medo de serem presos por se manifestarem. “Muitas pessoas estão com medo porque agora pode-se ir para a prisão por até 10 anos apenas por postar fotos de Bucha, apenas por fazer este post”, garantiu.

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