Depois de a semana passada ter ficado marcada pela ‘estreia’ da nova legislatura, com o renovado parlamento, e pela eleição do novo presidente da Assembleia da República, ficou menor fora de foco a imagem do abraço entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, após o último Conselho de Ministros.
Foi a convite do primeiro-ministro-demissionário que Marcelo presidiu à derradeira reunião do Conselho de Ministros do Governo de António Costa e, no final do encontro, nenhum dos dois poupou elogios ao trabalho feito conjuntamente e em convergência.O Expresso destaca uma “Aliança de uma década”
Embora a década não tenha sido inteiramente alcançada — o controverso “Processo Influencer” interveio no caminho de Costa — foram oito anos que partilharam no poder e que são inquestionavelmente marcantes para a história política de Portugal. E a forma como culminaram este capítulo também não será facilmente esquecida.
Ambos enfrentaram tempos turbulentos: da sombra da crise financeira de 2016 à pandemia global, passando por uma crise inflacionária e conflitos renascidos na Europa. Estes desafios, para muitos, justificam a estreita colaboração entre Marcelo e os governos socialistas.
Mas, quando o pó assenta, o legado é frequentemente medido pelos resultados. E aqui, a reflexão é menos lisonjeira: crescimento económico tímido, reformas estatais insuficientes, serviços públicos em declínio, uma Justiça sob escrutínio, fuga de talentos, regiões esquecidas, sem-abrigo persistente e um populismo em ascensão. Isto para além dos problemas nos setores da habitação, educação, saúde.
A direita não poupa críticas a Marcelo, acusando-o de complacência e de só ter despertado face à ascensão da maioria absoluta do PS. Por outro lado, a esquerda não perdoa o afastamento subsequente de Marcelo, que viu a esquerda ser substituída pela direita no poder.
No entanto, na visão destes líderes, a sua colaboração é vista de forma mais positiva. Costa salientou: “Nem sempre estivemos alinhados (…), mas raramente houve uma era constitucional onde a relação entre Governo e Presidência da República foi tão coesa e unida”. Marcelo, por outro lado, assegurou que a sua colaboração sempre foi em prol do bem maior nacional.
Os desafios e conflitos passados, incluindo as controvérsias de Galamba e o ‘caso gémeas’, parecem ter sido superados. E Marcelo sugere que este não é o fim da sua colaboração: “Não há motivo para pensar que esta será a última vez que nos encontramos em prol de Portugal.”



