Duas irmãs assassinadas no Paquistão por rejeitarem casamento combinado. Família preparou emboscada

Duas jovens foram brutalmente assassinadas pelos seus familiares próximos em Gujrat, vítimas de uma chantagem emocional que acabou com as suas vidas

Francisco Laranjeira

As duas irmãs de Tarrasa, em Barcelona, foram chamadas ao Paquistão sob o pretexto de que a sua mãe estava no leito de morte e queria vê-las: segundo relatou esta terça-feira o jornal ‘Dawn’, o jornal oficial do Paquistão, as duas jovens foram brutalmente assassinadas pelos seus familiares próximos em Gujrat, vítimas de uma chantagem emocional que acabou com as suas vidas, relatou o diário espanhol ‘ABC’.

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Tudo começou há alguns meses, quando Azra Bibi, mãe das meninas, viajou de Espanha para o Paquistão preocupada com o paradeiro do seu filho mais novo, Fakhar Abbas, do qual não tinha notícias há algum tempo. Azra Bibi deixou o marido, Muhammad Abbas, em Espanha e viajou para Gujrat, na província de Punjab, onde a esperava um plano organizado por alguns membros da sua família para assassinar as suas duas filhas, Arooj e Aneesa Abbas.

Essas meninas viviam na cidade catalã há anos, eram contra casamentos forçados com os seus primos do Paquistão e repetidamente exigiram o divórcio. Essa exigência não agradou à sua família em Punjab, que queria que acelerassem o processo burocrático para que os seus maridos se mudassem para Espanha. Assim, os dois irmãos mais velhos, Shehryar e Asfandyar Abbas, receberam a sua mãe em Gujrat e mantiveram-na incomunicável por mais de dois meses para preocupar as filhas.

Para ‘defender a honra da sua família’, ligaram para Arooj e Aneesa e disseram que a mãe estava muito doente e que deveriam ir imediatamente ao Paquistão para se despedir dela. Uma vez lá chegadas, as irmãs foram arrastadas pelos suspeitos, que lhes colocaram lenços no pescoço para as asfixiar e depois dispararam sobre elas – isto diante das crianças da casa.

“Tenho duas filhas mortas e dois filhos presos: não sei o que pensar”, lamentou Ghulam Abbas, pai de Arook e Anisa, em declarações ao jornal ‘El País’, comentando que as duas irmãs saíram de casa após pressão contínua de Shehryar, um dos seus irmãos e aquele que seria um dos principais autores do duplo homicídio.

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