As forças ucranianas afirmam ter destruído um raro caça naval russo Su-33, um helicóptero Mi-8 e dois sistemas de radar durante uma operação de grande dimensão com drones contra alvos militares russos na região do Mar Negro.
Segundo o ‘United24 Media’, Robert “Madyar” Brovdi, comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, anunciou esta quarta-feira que os ataques decorreram durante a noite de 8 para 9 de setembro e abrangeram vários pontos da costa russa.
Um dos principais alvos terá sido a base naval de Novorossiysk, onde Brovdi afirma que vários navios militares russos foram atingidos, incluindo embarcações capazes de transportar mísseis.
Mais a norte, em Anapa, os drones ucranianos terão destruído um caça Su-33 e um helicóptero Mi-8, além de terem atingido dois sistemas de radar russos: um Kasta-2E2 e um 92N6.
As alegações sobre os equipamentos destruídos e os danos provocados foram feitas pelo comandante ucraniano e não são acompanhadas, na informação disponível, por uma confirmação independente russa ou de outras fontes.
BREAKING: Ukraine’s Unmanned Systems Forces commander Robert “Madyar” Brovdi claims that last night’s combined Ukrainian strike on the Russian naval base in Novorossiysk 'lost' several military vessels, including missile carriers.
He also says USF units struck targets around… pic.twitter.com/EAtw7ilkcw
— Special Kherson Cat 🐈🇺🇦 (@bayraktar_1love) September 9, 2026
Porque é tão importante um Su-33?
Entre todos os alvos reclamados por Kiev, é o Su-33 que se destaca pela sua raridade.
O caça foi desenvolvido a partir do Su-27 soviético, mas com uma missão muito específica: operar a partir de porta-aviões e proteger formações navais russas contra ameaças aéreas.
É um avião bimotor de superioridade aérea equipado com características próprias para operações embarcadas, incluindo asas dobráveis, trem de aterragem reforçado e gancho de retenção para as aterragens no convés.
Pode transportar mísseis ar-ar e dispõe também de um canhão de 30 milímetros.
Mas há uma característica que torna uma eventual perda particularmente difícil de substituir: ao contrário de outros caças russos, como os Su-30 e Su-35, o Su-33 existe em números muito reduzidos.
Rússia já não fabrica estes aviões
A produção terminou há décadas.
Isso significa que Moscovo mantém em serviço os aparelhos sobreviventes, mas já não dispõe de uma linha de produção ativa para construir novos Su-33 que substituam diretamente aqueles que são perdidos.
Há ainda outra particularidade.
O avião foi concebido para operar a partir do ‘Admiral Kuznetsov’, o único porta-aviões da Rússia.
Só que o navio está há vários anos afastado das operações enquanto atravessa um prolongado processo de reparação e modernização. Segundo o ‘United24 Media’, chegaram inclusivamente a circular informações sobre a possibilidade de o navio acabar por ser vendido para desmantelamento.
Sem o porta-aviões para o qual foram concebidos, os Su-33 sobreviventes têm sido utilizados frequentemente a partir de bases terrestres.
É neste contexto que a alegada destruição de um destes aparelhos ganha uma importância diferente da perda de um caça produzido em maior escala.
Operação chegou também a Novorossiysk
O ataque não se terá limitado a Anapa.
Brovdi afirmou que drones ucranianos atingiram durante a mesma noite a base naval russa de Novorossiysk, um dos pontos estratégicos das forças russas no Mar Negro.
Segundo o comandante, vários navios militares terão sofrido danos, incluindo plataformas utilizadas como portadoras de mísseis.
O ‘United24 Media’ refere ainda que a operação atingiu 13 embarcações que Kiev associa à chamada “frota-sombra” russa.
Brovdi sustenta que as Forças de Sistemas Não Tripulados ucranianas já atingiram 282 embarcações desta rede desde 6 de julho.
Estes números são reivindicações das autoridades militares ucranianas e não estão independentemente confirmados na informação disponibilizada.
Kiev divulga números de uma semana de ataques
O comandante aproveitou ainda a divulgação da operação no Mar Negro para apresentar um balanço mais abrangente da atividade das forças de drones entre 1 e 8 de setembro.
Segundo Brovdi, foram atingidos 16.720 alvos russos durante esse período e provocadas 3.395 baixas entre militares russos.
O responsável ucraniano afirmou ainda que a média diária de militares russos atingidos terá aumentado 16% em setembro face a agosto, passando de uma média de 355 por dia para 411.
Brovdi atribuiu parte deste crescimento a uma maior concentração de forças russas junto à linha da frente, sobretudo na direção de Dobropillia, na região de Donetsk.
Também estes números são fornecidos pelas forças ucranianas e não puderam ser verificados de forma independente.
Um avião que se torna mais raro a cada perda
Se a destruição do Su-33 em Anapa vier a ser confirmada, a importância da perda não estará apenas nas capacidades do avião.
Estará também na dificuldade de o substituir.
A Rússia pode continuar a reparar e manter os Su-33 que permanecem operacionais, mas a produção do modelo terminou há décadas e o próprio porta-aviões que justificou a sua criação permanece afastado das operações.
É uma combinação pouco habitual: um caça concebido para um único porta-aviões, produzido em números limitados e sem novos exemplares a sair da fábrica.
E é precisamente por isso que um único Su-33 alegadamente destruído pode ter um peso muito superior ao que o número “um” faria pensar.
NASA FIRMS data confirming overnight large-scale attacks by Ukrainian Armed Forces on Russia's port of Novorossiysk.
Continue a ler após a publicidadeOil infrastructure, air defenses, naval assets, radar systems and an Su-33 jet all successfully targeted. pic.twitter.com/3MBrKjqST7
— SPRAVDI — Stratcom Centre (@StratcomCentre) September 9, 2026



















