Drones e espiões: Para as multinacionais da soja vale tudo para atacar agricultores brasileiros

As grandes empresas de exportação de alimentos estão a recorrer a espiões, satélites, drones e intimações judiciais, para garantir que os agricultores do Brasil entregam as culturas desenvolvidas aos compradores com quem realizaram pré-acordos, revela uma investigação da Reuters.

Em jogo estão milhares de dólares e a sobrevivência financeira de inúmeras multinacionais, cuja grande parte da receita advém da exportação da soja, para a qual o Brasil é a grande horta mundial.

Um relatório policial escrito em março, e ao qual a agência britânica teve acesso, revela que  um agricultor goiano pediu ajuda às autoridades depois de perceber que haviam empresas que estavam a filmar o seu terreno com drones sem autorização, para garantir que o agricultor forneceria 12 mil milhões de toneladas de soja por sete milhões de dólares (cerca de seis milhões de euros).

Fontes anónimas destas de empresas revelaram à Reuters técnicas de espionagem em grupos de Whastapp e ainda a imposição de supostos contratos, muito deles meramente “apalavrados, que não passaram de negociações e que são vistos por estas empresas como verdadeiros articulados de compromissos”.

Para além disso, a agência britânica denuncia que estas empresas não permitem a rescisão contratual dos agricultores em tempo útil e “os obrigam ilegalmente  a pagar 30% a 50% do valor total que seria pago pela entrega da mercadoria, como se de uma indeminização compensatória verdadeira e própria se tratasse”.

Nancy Franco, advogada que representa todas estas multinacionais, garante que só nos últimos dois anos já foram interpostos 40 processos contra produtores de soja “por incumprimento contratual ou pré-contratual”.

O Brasil é o exportador número um do mundo em soja, sendo que este alimento constitui 40% do mercado de vegetais da América Latina.

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