Dos transportes à saúde, passando pelo ambiente: as 12 reivindicações da DECO ao próximo Governo

As eleições estão à porta e a DECO já definiu as ações que vai exigir ao próximo Governo.

Executive Digest

As eleições estão à porta e a DECO já definiu as ações que vai exigir ao próximo Governo.

Menos sobre-embalagem no setor da distribuição

É preciso garantir que o tamanho das embalagens é otimizado em função do produto acondicionado. Deve ainda ser aumentado o prazo de garantia dos produtos e assegurada a possibilidade de estes serem reparados com peças de substituição por muito mais tempo do que acontece atualmente. A conceção de produtos mais duradouros e a penalização da obsolescência programada são essenciais. É fulcral aumentar o período de vida dos bens que adquirimos e a sua reparabilidade, tendo em vista uma maior sustentabilidade.

Fundo de catástrofes para eventos de origem natural

Trata-se de um fundo para eventos suscetíveis de gerar perdas humanas e materiais de grande dimensão. Segundo a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), em Portugal, há cerca de seis milhões de habitações, dos quais apenas 3,2 milhões estão cobertos por seguros de incêndio ou multirriscos e só 900 mil têm cobertura sísmica.

Em 2018, alertámos os consumidores, a ASF o ministro das Finanças e os grupos parlamentares, para a necessidade de se retomar o projeto de criação de um sistema de cobertura do risco de fenómenos sísmicos, alargando-o a outros fenómenos. Assentaria num modelo de parceria público-privada, entre o Estado e as seguradoras.

Descida do IVA para 6% em todas as parcelas da fatura da energia

A redução deve ser aplicável a todos consumidores, independentemente do escalão de consumo. Em 2018, mais de 70 mil consumidores assinaram a carta aberta que entregámos na Assembleia da República, exigindo a taxa de IVA mais reduzida na eletricidade, e no gás natural, canalizado e engarrafado. O Governo acabou por reduzir o imposto, mas apenas sobre as tarifas de acesso nos termos fixos, uma parte irrisória das faturas da eletricidade e do gás natural.

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Como se isso não bastasse, a descida do IVA na eletricidade, por só abranger contratos até 3,45 kVA, deixou de fora metade dos consumidores. Já o gás engarrafado, usado por 70% das famílias, continua a ser penalizado com a taxa máxima. Eletricidade e gás fazem parte do serviço público essencial, não devendo, por isso, ser taxados a 23 por cento. Mantemos a nossa posição e reivindicação por energia para todos com IVA de 6 por cento.

Criação de uma tarifa social para a água

Pretendemos que a tarifa seja criada em todas as entidades gestoras. A fatura da água é mais acessível com a tarifa social, mas, em muitos casos, não alivia suficientemente o peso económico das famílias carenciadas. Também não há regras claras e harmonizadas entre entidades gestoras, que garantam igualdade no acesso a esta tarifa com a fixação de uma média de consumo realista (os habituais 10 m³ são uma forma enviesada de restringir o acesso, dado uma família consumir 15 m³, em média).

É preciso tornar obrigatória a criação da tarifa social em todos os municípios e alargá-la ao saneamento e aos resíduos sólidos urbanos. O custo deste último serviço deve ainda ser calculado com base no lixo que as famílias produzem e não no seu consumo de água.

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Definir serviço para comissões bancárias

É preciso definir o que se considera um serviço efetivamente prestado, pelo qual é legítimo cobrar uma comissão bancária. Há que proibir comissões sem justificação, como a do processamento das prestações de crédito.

Os nossos estudos têm denunciado o crescimento das comissões cobradas na prestação de serviços financeiros. Por exemplo, em 10 anos, a anuidade do cartão de débito encareceu entre 87 e 270 por cento. Por este motivo,  lançámos a petição “Comissões Fora”, que reuniu mais de 20 mil assinaturas. A falta de uma clara definição do que é um serviço efetivamente prestado, que justifique a cobrança de uma comissão, abre as portas a uma atuação descontrolada por parte das instituições financeiras. Não podemos concordar com comissões de manutenção nas contas à ordem, nem de processamento da prestação. Em nenhum caso, o banco está a prestar um serviço.

A casa de morada de família fora de penhoras

Urge adotar medidas concretas de proteção do consumidor em processos de execução judicial de dívidas civis e comerciais de baixo valo, sobretudo em áreas de maior vulnerabilidade. Um dos casos prende-se com a penhora da casa de morada de família por dívidas relacionadas, a título de exemplo, com o incumprimento do contrato de telecomunicações. A nosso ver, não se justifica, na medida em que excede os princípios da proporcionalidade e necessidade.

Regulação das plataformas eletrónicas de intermediação

As plataformas eletrónicas de marketplace, que funcionam como intermediários, têm demonstrado problemas em matéria de transparência da informação para os consumidores que as usam. A maioria desresponsabiliza-se em caso de conflito. A proposta de diretiva apresentada pela Comissão Europeia é insuficiente à luz dos problemas identificados. Deve haver responsabilidade solidária entre os operadores das plataformas e os vendedores e prestadores de serviços que aí operam.

Cálculo de pagamento por rescisão antecipada em telecomunicações

Exigimos a revisão da fórmula de cálculo do valor a pagar pelo consumidor, em caso de rescisão antecipada dos contratos com um período de fidelização. Para que o mercado das telecomunicações goze de uma verdadeira concorrência, é fundamental que os custos imputados ao consumidor sejam substancialmente mais baixos. Havendo períodos de fidelização sucessivos, estes têm de ser regulados, fixando-se limites e proibições. A lei tem de ser clarificada, de modo que as condutas adotadas pelos prestadores de serviços não lesem os interesses dos consumidores.

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Reforço da rede de centros de arbitragem de conflitos de consumo

O reforço deve ser feito tanto na cobertura territorial, como em recursos técnicos e financeiros. As empresas são obrigadas, cada vez mais, a aderir aos centros de arbitragem para resolver as situações de conflito, nas quais se incluem, agora, os relativos a prestadores de serviços de transporte de passageiros, nomeadamente, aéreo. Contudo, há regiões em Portugal onde este meio ainda não se encontra facilmente à disposição do consumidor. Tal dificulta a justiça de proximidade que se pretende promover com estes centros de arbitragem. Os consumidores não podem ser discriminados no acesso a estes mecanismos por causa do seu local de residência.

Promoção de uma alimentação equilibrada

Nomeadamente através da disponibilização e alimentos saudáveis em máquinas de venda automática em escolas e em universidades. A oferta de produtos ricos em gorduras, açúcares e sal deve ser sancionada. Da análise, em 2019, a 135 máquinas de venda automática em 100 instituições de ensino superior, concluímos que mais de metade dos alimentos apresentava elevadas quantidades de gordura, de açúcar e de sal. A oferta destas máquinas é desadequada, dificultando a realização de escolhas saudáveis. Também a informação é incipiente: a lista de ingredientes ou a identificação de alergénios não está, muitas vezes, acessível aos consumidores.

Revisão dos parâmetros de qualidade dos transportes públicos

Os consumidores devem ser protegidos do incumprimento dos operadores, e deve ser garantido um serviço regular, contínuo, pontual, seguro e cómodo. O aumento da procura do transporte público é uma tendência que já se vem sentindo mesmo antes da redução tarifária. O aumento do número de reclamações também é um facto, tanto junto das entidades fiscalizadoras e reguladoras, como dos nossos serviços.

A encabeçar as reclamações estão incumprimentos contratuais, como a não-realização do serviço de transporte programado, o incumprimento de horários, alteração dos percursos ou paragens, o excesso de lotação do veículo e a baixa frequência do transporte. Estes problemas continuam sem solução, porque as próprias concessões em alguns meios de transporte não impõem regras mais protetoras dos consumidores e sanções mais eficazes e dissuasoras. As empresas devem garantir serviços de transporte com qualidade.

Novo método de avaliação dos estabelecimentos de saúde

Queremos a introdução de critérios mais exigentes e a contribuição dos cidadãos. Perante a recorrente e pública incapacidade de resposta do sistema na prestação de cuidados de saúde, é preciso avaliar as suas insuficiências e promover uma melhor articulação entre as diversas partes. A recente aprovação da Lei de Bases da Saúde é positiva para os consumidores, mas aguarda concretização. Exige-se, por outro lado, maior capacitação e intervenção dos consumidores, e sobretudo mais exigência no que toca à saúde e aos cuidados prestados pelos estabelecimentos de saúde. O sistema carece ainda de uma verdadeira cultura de avaliação, impacto e responsabilização, que dê voz aos utilizadores dos serviços de saúde e permita agir sobre as lacunas existentes − ambos essenciais no controlo da qualidade da prestação de cuidados e no direito à proteção da saúde.

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