Dos “Pissioun” ao “Inferno”: os nomes dos drones ucranianos que estão a enlouquecer a Rússia

Humor, trocadilhos e mensagens de desafio tornaram-se parte da guerra psicológica travada contra Moscovo

Francisco Laranjeira

Uns destroem drones russos que atacam cidades ucranianas. Outros percorrem centenas de quilómetros para atingir refinarias de petróleo em território russo. Mas há um pormenor que também está a chamar a atenção: os nomes pouco convencionais dos drones desenvolvidos pela Ucrânia.

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Segundo o ‘Kyiv Post’, humor, trocadilhos e mensagens de desafio tornaram-se parte da guerra psicológica travada contra Moscovo, transformando os próprios nomes dos aparelhos numa arma de propaganda e de resistência.

“Pissioun”: o drone que virou um fenómeno

Um dos casos mais conhecidos é o PS-1 Sun, desenvolvido pela empresa ucraniana SkyFall. Rapidamente ganhou o apelido de “Pissioun”, uma expressão da gíria ucraniana para “pénis”, e o nome acabou por ultrapassar o próprio modelo.

O sucesso foi tal que nasceu até um novo verbo entre militares e apoiantes da Ucrânia: quando um drone kamikaze russo é abatido, diz-se que foi “pissiouned”, numa mistura de humor negro com provocação.

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Na feira aeronáutica de Farnborough, no Reino Unido, a empresa apresentou uma nova versão, o PS-1 Sun Jet Killer, concebido para intercetar drones Shahed a jato utilizados pela Rússia. Um dos porta-vozes surgiu mesmo com uma t-shirt onde se lia apenas uma palavra: “Pissioun”.

Ao ‘Kyiv Post’, responsáveis da SkyFall explicaram que a intenção era criar um equipamento eficaz, mas também elevar o moral dos soldados. O resultado, garantem, superou todas as expectativas, transformando o drone numa “estrela global”.

Há drones chamados “F***-se Putin”

Nem todos os nomes chegam ao público.

A Fire Point, fabricante especializada em drones de longo alcance, comercializa oficialmente os modelos FP1 e FP2, mas, internamente, a sigla tem outro significado bem mais explícito: “F***-se Putin”.

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É mais um exemplo de como o humor, a irreverência e a provocação passaram a fazer parte da identidade da indústria militar ucraniana.

“Inferno”, “Fevereiro” e até um pão tradicional

Também a estatal Ukroboronprom escolhe cuidadosamente os nomes dos seus drones.

O Liutyi, utilizado em ataques profundos contra refinarias russas, significa simultaneamente “furioso” e “fevereiro”, uma referência ao mês em que Moscovo lançou a invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022.

Outro modelo recebeu o nome Palianytsia, o tradicional pão branco ucraniano cuja pronúncia é conhecida por denunciar quem fala russo, tendo sido usada como forma de distinguir ucranianos de infiltrados russos.

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Já Peklo, que significa “Inferno”, foi o nome escolhido pelo presidente Volodymyr Zelensky para outro drone de ataque.

Segundo o ‘Kyiv Post’, um responsável da Ukroboronprom explicou que a designação simboliza a “vingança por toda a Ucrânia” e a punição pela destruição provocada pela Rússia, incluindo a do lendário Antonov An-225 Mriya, o maior avião de carga do mundo.

Mais do que armas, símbolos de resistência

Para os fabricantes, estes drones representam muito mais do que simples equipamentos militares.

“Este não é apenas mais um produto comercial feito para gerar lucro. É um objeto que nos protege, que nos permite viver mais um dia e voltar a ver os nossos entes queridos”, afirmou um alto responsável da Ukroboronprom, citado pelo Kyiv Post.

Num país em guerra há mais de quatro anos, até os nomes dos drones passaram a fazer parte da resistência, misturando humor, provocação e vontade de mostrar que, apesar dos ataques russos, a capacidade de rir e desafiar o inimigo continua intacta.

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