O destino dos donativos que a comunidade chinesa em Portugal fez ao presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves e à sua mulher, Isabel Alves, para ajudar depois da tragédia de 2017, deverão ser objeto de investigação por parte do Ministério Público, avança o ‘Jornal de Notícias’ (JN).
Em causa, segundo a mesma publicação, estão provas apresentadas por Carlos David Henriques, ex-presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, que consistem em duas fotografias que registam uma entrega de dinheiro.
As imagens foram usadas por Carlos David Henriques para se defender das acusações de difamação agravada de que foi alvo por parte de Isabel Alves. Isto porque o responsável disse em público que mulher do presidente teria participado numa cerimónia de entrega de donativos da comunidade chinesa, algo que a mulher não gostou, tendo-o processado de seguida.
Ainda assim, conta o ‘JN’, o Tribunal de Figueiró dos Vinhos absolveu o acusado por considerar que Carlos David Alves apenas se limitou a constatar um facto de que Isabel Alves teria estado presente na cerimónia, sem nunca a acusar de ter desviado o dinheiro.
A comunidade chinesa em Portugal doou cerca de 91 mil euros à comunidade de Pedrógão Grande, que foram entregues ao seu presidente, Valdemar Alves, em junho, julho e outubro de 2017, para «ajudar os bombeiros, os familiares das vítimas [66 mortos e 254 feridos] e os desalojados pelo incêndio».
Contudo, a polémica estalou quando o comandante dos bombeiros afirmou não ter recebido nada, alegando que o montante se manteve no cofre da Câmara. O mesmo aconteceu com a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG).
«Não recebemos nada, por laxismo e ódio político», disse Carlos David Alves. «Acho que há matéria para o MP prosseguir com o caso e acho que a AVIPG e os bombeiros se deviam mexer», acrescentou.




