Alguns dos principais estados dos EUA começam já no próximo mês a decidir quem querem para presidente. Os votos antecipados começam a ser contados em Setembro, ainda antes do primeiro debate, fazendo com que o actual morador da Casa Branca fique com cada vez menos tempo para dar a volta à percepção do público: neste momento, a forma como está a lidar com a pandemia de COVID-19 e os protestos em torno da injustiça racial estarão a reduzir as hipóteses de Donald Trump continuar à frente do país.
Segundo o Político, faltam precisamente 92 dias para o dia das eleições, mas Donald Trump tem pouco menos desse tempo para tentar aproximar-se de Joe Biden (de quem está 7 pontos atrás neste momento). Entrevistas a perto de duas dezenas de estrategas e responsáveis dos partidos Republicano e Democrata evidenciam isso mesmo.
A dificultar uma nova vitória está também um aumento dos votos por correio, devido ao novo coronavírus, e ainda um fortalecimento do eleitorado norte-americano face a 2016. Hoje, registam-se menos indecisos do que há quatro anos.
«Se eu estivesse a conduzir a campanha de Trump, eu quereria ver uma subida marcada no início de Outubro», afirma Charlie Gerow, estratega do Partido Republicano. O especialista está confiante de que Donald Trump irá superar os resultados obtidos até agora nas sondagens quando o chegar o dia final da eleição, quando a maioria dos cidadãos vota. Contudo, sublinha, as votações antecipadas aceleram a cronologia.
E a pressão já começa a acusar. Na passada quinta-feira, o presidente sugeriu que se atrasassem as eleições devido à possibilidade de fraude nos votos submetidos por correio. Contudo, Donald Trump não tem autoridade para implementar esta mudança.
Doug Herman, que trabalhou nas campanhas de 2008 e 2012 de Barak Obama, considera que tempo é o ingrediente de que Donald Trump mais precisa. Porém, «é a única coisa que ele não tem com este calendário», indica o responsável ao Politico.
Para tentar contrariar a falta de tempo, a equipa de Trump vai lançar esta segunda-feira uma campanha publiciária com foco precisamente nos estados em que é possível votar mais cedo. O objectivo será tentar conquistar eleitores de última hora.
O que muda em relação à eleição anterior? De acordo com a mesma publicação, Donald Trump beneficiou de uma campanha mais longa e de um eleitorado menos decidido: cerca de 13% dos eleitores em 2016 dizia ter escolhido em quem votar na semana anterior à eleição. Este ano, há ainda outro factor, já que a franja de eleitores indecisos mostra maior probabilidade de votar em Joe Biden do que em Donald Trump, segundo uma sondagem recente da Reuters/Ipsos.
Do lado dos Democratas, também se sente alguma urgência, mas neste caso relativamente à possibilidade de aproveitar precisamente esta cronologia acelerada. O partido de Joe Biden quer aproveitar ao máximo os votos antecipados para garantir que não sofre com as pessoas que se esquecem votar no chamado “Election Day”, marcado para 3 de Novembro.








