Dois sismos na mesma semana? «Estamos em cima de um barril de pólvora»

Portugal registou dois sismos esta semana, confirmados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O primeiro, com uma magnitude de 2.7 na escala de Richter, ocorreu na terça-feira com o epicentro a cerca de 16 km a Norte-Noroeste de Montalegre, Vila Real. O segundo, com uma magnitude de 3.4, foi registado ontem em Lisboa.

Mário Lopes, engenheiro especializado em sismos e professor no Instituto Superior Técnico, explica em declarações ao Diário de Notícias (DN) que “os sismos têm origem em zonas de falha na crosta terrestre”. “O primeiro grupo de falhas que afetam Portugal fica a sul do Algarve, que separa as grandes massas continentais europeia e africana. O segundo, é no vale inferior do Tejo, se fizer uma linha entre o Entroncamento e Setúbal ao longo do rio, tem várias falhas que podem originar sismos”.

O responsável considera que em Portugal há uma falta fiscalização das normas relativas à resistência sísmica. “Desde 1958 que é obrigatório preparar os edifícios, as pontes e as estruturas de engenharia civil, para resistirem aos sismos. O problema é que o cumprimento da legislação não é fiscalizado”, denuncia.

E alerta: “estamos numa zona sísmica e que, em qualquer momento pode haver um sismo mais forte que cause muitos estragos e mate muita gente. É uma forma de nos lembrar que estamos em cima de um barril de pólvora e que um dia vai explodir”.

O especialista em sismos defende também que a prevenção deve começar pela população. As pessoas devem exigir condições de fiscalização quando vão morar para uma casa. “Há muito mais para fazer, principalmente a fiscalização dos projetos e das construções para garantir que tenham a resistência física de acordo com a legislação técnica”, diz ao DN.

Mário Lopes dá ainda algumas recomendações para o dia-a-dia, para reduzir os riscos em casa em caso de sismo. Desde logo, evitar que objetos pesados nos possam cair em cima. Por exemplo, se tiver o armário da roupa em frente a uma cama, o que se deve fazer é prendê-lo à parede. “Nas cozinhas, devíamos ter armários que só abrissem com intervenção humana para que os pratos não comecem a cair”, recomenda também.

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