A proximidade temporal entre o forte sismo que atingiu a Colômbia e os terramotos registados recentemente na Venezuela alimentou receios de uma possível ligação entre os fenómenos. A explicação geológica, porém, aponta no sentido contrário: os eventos resultam de sistemas tectónicos diferentes e não existe um “efeito dominó” entre os dois países.
De acordo com o elEconomista, o sismo de magnitude 7,4 registado na Colômbia teve origem na interação entre a placa de Nazca e a placa Sul-Americana, enquanto os terramotos na Venezuela estão associados ao contacto entre a placa do Caribe e a placa Sul-Americana.
O geólogo Gustavo Ortiz explicou à CNN que o principal elemento comum entre os dois países é o facto de ambos se encontrarem sobre a massa continental da placa Sul-Americana. O contexto geológico e geotectónico, contudo, é completamente diferente.
Sismo na Colômbia ocorreu a mais de 100 quilómetros de profundidade
Na Colômbia, o fenómeno está relacionado com um processo de subducção ao longo da margem do Pacífico, no qual a crosta oceânica da placa de Nazca mergulha por baixo da placa Sul-Americana.
O sismo ocorreu às 7h34 e teve o epicentro próximo de San José del Palmar, no departamento de Chocó.
Segundo os dados referidos pelo elEconomista, com base no Serviço Geológico dos Estados Unidos e na TIME, o abalo ocorreu a uma profundidade de 103 quilómetros.
Esta profundidade contribuiu para limitar as consequências do sismo e afastou o risco de tsunami na costa do Pacífico, uma vez que grande parte da energia foi libertada em camadas profundas.
Apesar disso, o abalo provocou danos graves em várias regiões do país.
Informações da Associação Colombiana de Cidades Capitais, citadas pela Europa Press, apontam para pelo menos 132 mortos e mais de 570 feridos, com cidades como Pereira, Manizales, Cali, Quibdó e Armenia entre as mais afetadas.
Mais de 80 edifícios terão colapsado, cerca de 1500 habitações ficaram destruídas e os voos foram suspensos em sete aeroportos.
Perante a dimensão dos estragos, o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, decretou medidas de emergência, mobilizou meios militares e anunciou as primeiras ajudas económicas destinadas às famílias afetadas em Chocó.
Venezuela enfrenta um mecanismo tectónico diferente
O contexto sísmico venezuelano é distinto.
Os terramotos registados naquele país resultam da interação entre as placas do Caribe e Sul-Americana, que se deslocam lateralmente uma em relação à outra através de sistemas de falhas como Boconó, San Sebastián e El Pilar.
Ao contrário do sismo colombiano, os abalos na Venezuela ocorreram a menos de 20 quilómetros de profundidade.
Essa localização muito próxima da superfície, associada a um movimento predominantemente lateral, aumentou a intensidade das ondas sísmicas sentidas nas zonas habitadas.
Ao mesmo tempo, este tipo de deslocamento reduz a probabilidade de ocorrência de um tsunami no mar das Caraíbas, uma vez que provoca menor deformação vertical do fundo marinho.
Geólogos afastam reação em cadeia
Apesar da proximidade geográfica entre Colômbia e Venezuela, as análises geotécnicas e geofísicas afastam a possibilidade de uma transferência direta de tensões entre os dois sistemas.
Na Colômbia, a atividade sísmica analisada resulta da subducção da placa de Nazca na margem ocidental do continente.
Na Venezuela, o risco está associado sobretudo ao movimento lateral entre a placa do Caribe e a placa Sul-Americana.
São, por isso, mecanismos diferentes e com características estruturais próprias, apesar de ambos ocorrerem numa região marcada por elevada atividade tectónica.
Onde existe maior risco de tsunami?
O risco mais significativo de tsunami concentra-se na costa colombiana do Pacífico.
Nesta região, grandes terramotos de subducção que ocorram a pouca profundidade podem provocar deslocamentos verticais do fundo do mar e movimentar grandes volumes de água.
Foi esse tipo de mecanismo que esteve associado ao desastre de Tumaco, em 1979.
No lado das Caraíbas, a natureza predominantemente horizontal das falhas diminui a probabilidade de movimentos verticais suficientemente fortes para gerar grandes tsunamis.
Isso não significa, contudo, menor risco sísmico para as populações: os abalos superficiais podem transmitir uma quantidade elevada de energia diretamente às zonas urbanas e provocar destruição significativa.














