Foram detetados dois casos da doença de Hansen, mais conhecida por lepra, em Portugal nos últimos dois meses (março e abril), tendo sido importados do Brasil.
A DGS confirmou esta manhã que os dois casos registados “se referem a indivíduos originários do Brasil”. Mas há motivo para preocupação? Em entrevista à Executive Digest, Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, afasta que seja um problema e diz que é uma situação “normal e habitual”.
“É normal encontrarmos casos ainda. Nestes de agora são em pessoas que regressaram do Brasil que, recordo, é um dos países com mais elevadas taxas da doença em todo o mundo”, começa por explicar o especialista.
“Não precisamos de estar preocupados porque é uma doença que não tem uma expansão e uma transmissibilidade como outras, como a Covid-19, por exemplo”, defende Gustavo Tato Borges, adiantando que só os contactos muito próximos dos doentes é que “devem fazer testagem e profilaxia”, para além de recorrerem a acompanhamento médico, também despistando eventualmente casos de tuberculose.
Na Madeira, onde foi detetado o primeiro caso “a situação já está resolvida”, enquanto no Porto, “os contactos de risco já foram sujeitos a testagem, pelo que na semana que vem, eventualmente com os testes negativos, o caso já estará ultrapassado”, adianta Tato Borges.
Não há nenhum risco acrescido para a população portuguesa”, sumariza.
É normal detetarem-se alguns casos de lepra em Portugal todos os anos, importados de outros países. O Brasil, a Índia e a Indonésia são os países com maiores taxas da doença, que ultrapassam os 10 mil casos por cada milhão de habitantes, todos os anos.
“Esse facto não deve evitar que se façam viagens a estes países, até porque é uma infeção que acontece pouco frequentemente de forma esporádica. Apenas significa que, se vamos visitar estes países, devemos ter maiores cuidados para nos protegermos”, termina o médico, em declarações à Executive Digest.
“A doença está erradicada em Portugal e os casos reportados anualmente são sempre casos importados, numa média de dois a seis casos por ano. A DGS vai continuar a acompanhar a situação, não se verificando, até à data, alteração no perfil do número de casos importados”, sustentou a DGS em resposta à Lusa, na confirmação dos casos, esta quinta-feira.



