Portugal autorizou uma única preparação à base de canábis para ser vendida em farmácias para fins terapêuticos, mas são poucos os doentes que conseguem beneficiar dela, não só pelo preço elevado, mas também pela resistência de alguns médicos em prescrever a medicação.
Segundo o ‘Jornal de Notícias’ (JN), desde abril do ano passado, foram vendidas 548 embalagens, havendo doentes que usam mensalmente entre três a seis unidades, o que significa que podem ser menos de 20 os paciente que realmente conseguem usufruir do produto.
O diretor global dos assuntos médicos da empresa Tilray, responsável pela venda do produto, sublinha que o expectável é que estas terapêuticas “estejam acessíveis para que possam ser prescritas aos doentes que não vêm a sua condição médica resolvida pelos fármacos administrados”. Contudo, nem sempre isso acontece.
“Temos muitas pessoas que nos dizem que há desconhecimento e resistência dos médicos na prescrição”, afirma Carla Dias, presidente do Observatório Português para a Canábis Medicinal (OPCM), citada pelo ‘JN’.
Um desses exemplos é o de Bryan Custódio, que precisou de recorrer ao Centro de Saúde de Vila Nova de Milfontes para pedir a renovação receita do medicamento. A sua médica não estava e foi atendido pela substituta que recusou passar-lhe a receita.
“Disse-me que era contra drogas e para eu me ir embora”, referiu ao ‘JN’, adiantando que depois de exigir que a médica apresentasse por escrito o motivo da recusa, esta ligou à diretora do centro de saúde e acabou por ser aconselhada a passar a receita.
“Disse-me que só ia passar uma e porque era obrigada, mas que nunca mais me queria ver, porque não queria drogados nas suas consultas e a entupir o centro de saúde”, conta, sublinhando que apresentou reclamação.













