Doenças da vida selvagem prosperam à medida que avança destruição da natureza, alerta estudo

Segundo este estudo, ratos e morcegos, hospedeiros de patogénios pandémicos como a Covid-19, aumentam em ecossistemas danificados.

Sónia Bexiga

A destruição humana dos ecossistemas naturais aumenta o número de ratos, morcegos e outros animais que abrigam doenças que podem levar a pandemias como a Covid-19, segundo uma análise publicada na revista ‘Nature’.

A pesquisa, citada pelo ‘The Guardian’, avaliou quase 7 mil comunidades de animais em seis continentes, tendo constatado que a conversão de locais selvagens em terras agrícolas ou para outros fins tende a destruir espécies maiores, verificando ainda que a destruição beneficia criaturas menores e mais adaptáveis ​​mas que também carregam um maior número de patogénios que podem passar para os seres humanos.

Os resultados mostram que as populações de animais que hospedam as doenças zoonóticas eram até 2,5 vezes maiores em locais ‘invadidos’, e que a proporção de espécies que carregam os patogénios aumentou em até 70%, quando comparados com ecossistemas intocados.

A razão para espécies como roedores e morcegos prosperem simultaneamente em ecossistemas danificados pelo homem e também hospedarem a maioria dos patogénios é provavelmente porque são pequenas, móveis, adaptáveis ​​e produzem muitas crias rapidamente.

A análise constatou que aves pequenas e empoleiradas também eram hospedeiras de doenças que se dão bem em habitats que sofrem com o impacto das atividades humanas. Essas aves podem ser reservatórios de doenças como o vírus do Nilo Ocidental e um tipo de vírus chikungunya.

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Cada vez mais, os seres humanos estão a enfrentar doenças originárias de animais selvagens, como o HIV, o Zika, o SARS e o vírus Nipah. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, houve uma série de avisos da ONU e da Organização Mundial da Saúde de que o mundo deve enfrentar a causa destes surtos – a destruição da natureza – e não apenas os sintomas económicos e de saúde .

Em junho, os especialistas nestas matérias vieram alertar que a pandemia da Covid-19 é um “sinal de SOS para os seres humanos”. Antes destes, já os principais especialistas em biodiversidade do mundo haviam sublinhado que podem esperar-se mais surtos de doenças mortais, numa tendência que só a proteção da natureza pode inverter.

A nova análise é a primeira a mostrar como a demolição de locais selvagens, à medida que a população e o consumo mundial crescem, leva a mudanças nas populações de animais que aumentam o risco de surtos de doenças. A pesquisa demonstra que a vigilância de doenças e os cuidados com a saúde precisam ser intensificados nas áreas em que a natureza está a ser devastada.

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“À medida que as pessoas entram e, por exemplo, transformam uma floresta em terras agrícolas, o que estão a fazer inadvertidamente é aumentar a probabilidade de entrarem em contacto com um animal portador de uma doença”, disse David Redding, do Instituto ZSL de Zoologia em Londres, um dos membros da equipa que elaborou este estudo.

Redding acrescentou ainda que os custos destas doenças não estão a ser levados em consideração ao decidirem converter ecossistemas naturais: “Passamos a precisar de gastar muito mais dinheiro em hospitais e tratamentos”. Um relatório recente estimou que apenas 2% dos custos da crise do Covid-19 seriam suficientes para ajudar a evitar futuras pandemias por uma década.

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