Doença neurológica progressiva afeta número crescente de jovens no Canadá

Autoridades de saúde temem que possa ser devido a fatores ambientais

Francisco Laranjeira

Uma doença neurológica progressiva parece estar a afetar um número crescente de jovens e a causar um declínio cognitivo rápido entre alguns dos aflitos em New Brunswick, segundo revelou um whistleblower do Canadá ao jornal britânico ‘The Guardian’.

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Um funcionário da ‘Vitalité Health Network’, uma das duas autoridades de saúde da província canadiana, garantiu que os casos suspeitos estão a aumentar em número e que jovens adultos, sem problemas de saúde anteriores, estão a desenvolver um catálogo de sintomas preocupantes, incluindo perda de peso rápida, insónias, alucinações, dificuldade de raciocínio e mobilidade limitada.

O número oficial de casos sob investigação – 48 – permanece inalterado desde que foi anunciado pela primeira vez no início da primavera de 2021 mas diversas fontes indicam que o grupo pode ser já composto por 150 pessoas, com um acumular de casos que envolvem jovens a exigir uma avaliação mais aprofundada. “Estou realmente preocupada com esses casos porque parecem evoluir muito rápido”, explicou o whistleblower ao jornal britânico. “Devemos algum tipo de explicação.”

“Esta não é uma doença de New Brunswick”, apontou o funcionário. “Provavelmente somos a área que está a levantar a bandeira porque somos principalmente rurais e estamos numa área onde as pessoas podem estar mais expostas a fatores ambientais.”

“O facto de termos um espectro mais jovem de pacientes é um argumento muito forte contra o que parece ser a posição preferida do governo de New Brunswick – que os casos neste grupo estão a ser erroneamente agrupados”, lembrou um cientista da agência de saúde especializada em doenças neurodegenerativas do Canadá.

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Um estudo já indicou altas concentrações de BMAA (beta-metilamino-L-alanina) encontradas em lagostas, uma das principais indústrias da comunidade costeira de New Brunswick. A aparente resistência das autoridades da província a testes de fatores ambientais suspeitos levou à especulação entre as famílias de que os esforços para descartar a existência de um ‘cluster’ poderiam ser motivados por decisões políticas. Documentos obtidos pelo ‘Guardian’ mostraram que cientistas da agência de saúde pública do país estavam a considerar o BMAA como uma possível causa, mas precisavam da província para solicitar os testes.

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