Do receio no Reino Unido ao otimismo dos EUA: Economias do dólar e da libra a ritmos diferentes

Dos dois lados do atlântico, sentimentos misturam-se. Por um lado, um sentimento de receio no Reino Unido com a incerteza quanto à subida dos juros por parte do Banco de Inglaterra, e por outro os EUA veem uma recuperação do setor tecnológico depois dos resultados apresentados no final do segundo trimestre.

 

FOREX

Ricardo Evangelista, diretor executivo da ActivTrades Europe S.A, explica que a libra esterlina tem subido recentemente, em particular em relação ao euro, com os investidores a precificar as expectativas de um aumento incomumente de 50pb por parte do Banco de Inglaterra. Há uma pressão crescente dos setores políticos e da imprensa em relação à escala do aumento das taxas de juro, com muitos a considerar que tal aumento punirá empresas e famílias, e terá um impacto limitado em termos de controlo da escalada de preços. No entanto, com a inflação do Reino Unido no nível mais alto das últimas quatro décadas, e as previsões de que subirá ainda mais, o Banco de Inglaterra provavelmente avançará com o aumento de meio ponto percentual que vem planeando – o maior aumento nos custos de empréstimos desde 1995. Com o aumento de 50 pontos base já precificado, o impacto do anúncio de hoje na libra esterlina provavelmente será mínimo. No entanto, um aumento surpreendente mais baixo certamente geraria fraqueza na moeda britânica.

 

WALL STREET

Touros atropelam ursos após dois dias de pausa

Marco Silva, Consultor da ActivTrades, dá conta que depois de duas sessões em que os índices norte-americanos andaram a consolidar numa tendência maioritariamente lateral, na quarta-feira os touros decidiram quebrar o marasmo e puxar pelo mercado tal como tinha ocorrido no passado dia 28, o que encostou Wall Street aos máximos de Maio no caso do Nasdaq e de Junho no do S&P500, indiciando portanto que as tecnológicas estão numa fase de expansão de múltiplos, beneficiando dos resultados apresentados pelos pesos pesados do setor que apesar de não terem sido brilhantes em várias situações, sempre foram melhor do que o pior dos cenários, permitindo assim um alívio do pessimismo extremo.

O facto dos resultados da Paypal e da Moderna terem surpreendido pela positiva, deram o impulso necessário no campo dos dados empresariais, ao passo que os dados que saíram sobre a atividade de serviços nos EUA complementaram com um impulso de reforço, que aliviou receios dos investidores sobre um abrandamento abrupto do crescimento da maior economia do mundo. Com efeito, não só a indústria dos serviços não igualou as previsões de uma queda do crescimento como acabou mesmo por aumentar o ritmo de expansão, uma vez que em vez dos 53.5 pontos esperados pelos analistas, a realidade acabou por ficar nos 56.7, melhor que os 55.3 do mês passado.

Nas commodities o preço do petróleo recuou, o que também ajudou ao otimismo que dominou o segmento acionista, não obstante a decisão da OPEP de aumentar a produção em apenas 100.000 barris por dia, no entanto o panorama para a procura fez toda a diferença, com o mercado a antecipar uma redução do consumo derivada do arrefecimento da economia a nível global, com especial incidência na China, o grande peso pesado do consumo que recorre sobretudo ao mercado internacional para satisfazer as suas necessidades.

O gráfico de hoje é do Nasdaq, o time-frame é de 4 horas. O índice tecnológico afastou-se da linha superior do canal a verde, mas é de esperar que a vá testar no curto-prazo.

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