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Do Paquistão ao Reino Unido. Muçulmanos intensificam protestos contra França

A França reforçou a segurança em todo o país, esta sexta-feira, para se precaver contra novos ataques islamistas após o incidente fatal, da passada quinta-feira de manhã, na basílica de Notre Dame, em Nice. Mas numa ‘onda’ que cada vez mais se alastra, os muçulmanos estão a ir para as ruas protestar contra as caricaturas francesas com o Profeta Maomé.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, enviou milhares de polícias para proteger sítios como locais de culto e escolas. O alerta de segurança foi elevado ao mais alto nível em resposta aos acontecimentos recentes no país.

A polícia deteve esta sexta-feira um emigrante tunisino de 21 anos, chamado Brahim al-Aouissaoui, por causa do ataque em que um homem gritou “Allahu Akbar” (Alá é o Maior), decapitou uma mulher e matou duas outras pessoas na igreja em Nice, esta quinta-feira.

O ataque aconteceu num momento de raiva entre muitos muçulmanos em todo o mundo por causa das caricaturas francesas relativas ao Profeta Maomé, que consideram insultuosas e blasfemas.

Ocorreu cerca de duas semanas depois de Samuel Paty, um professor, ter sido decapitado por um checheno de 18 anos, que se terá sentido indignado pelo professor ter mostrado tais caricaturas numa aula.

França, onde está a maior comunidade muçulmana da Europa, defendeu o direito de publicar tais caricaturas. Macron tem insistido que o país não vai comprometer as suas liberdades básicas de crença e expressão.

No Paquistão, Bangladesh e territórios palestinianos, dezenas de milhares de muçulmanos encetaram protestos ‘anti-franceses’ após as orações, esta sexta-feira.

No Paquistão, a polícia disparou gás lacrimogéneo contra manifestantes que quebraram bloqueios de segurança em Islamabad, numa tentativa falhada de se manifestarem na Embaixada francesa contra as imagens francesas do Profeta Maomé.

No Bangladesh, os manifestantes na capital, Dhaka, gritavam “boicote aos produtos franceses” e levavam cartazes que chamavam Macron “o maior terrorista do mundo”.

“Macron está a liderar a islamofobia”, disse o manifestante de Dhaka Akramul Haq, citado pela agência Reuters. “O mundo muçulmano não vai deixar isto passar em vão. Levantar-nos-emos e seremos solidários contra ele”.

Também se realizaram protestos na Índia, Líbano e Somália.

Esta sexta-feira fica ainda marcada por confrontos entre a polícia e manifestantes muçulmanos, em Londres, frente à Embaixada de França, avança o ‘Daily Mail’. Os manifestantes exigiram “respeito pelo Profeta”, questionando a posição de Emmanuel Macron sobre as caricaturas do Charlie Hebdo, exibindo cartazes com frase como “Não vamos tolerar desrespeito ao nosso amado profeta”, “O maior terrorista da Terra é Macron” e “Insulto não é liberdade de expressão”.

Segundo detalhou um porta-voz da Polícia Metropolitana esta manifestação, frente à embaixada, foi rapidamente dispersada, sendo que a maioria dos manifestantes saiu sem problema. 

Ainda assi, foram feitas três detenções: duas pessoas por violações das regras restritivas do combate à pandemia da Covid-19 e uma por posse de material pirotécnico.

Através das redes sociais, a Embaixada da França em Londres informou, em comunicado, que “a França está a ser alvo de ataques terroristas contra a liberdade de expressão, contra o direito de acreditar ou não acreditar, de viver na fraternidade. Continuaremos a ser o que somos, um país livre e tolerante, orgulhoso dos seus valores humanistas de democracia”.

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