Dividendos globais batem novo recorde mundial graças a bancos e petrolíferas

Num ano marcado pela valorização do dólar face às principais divisas, menores dividendos extraordinários e outros fatores técnicos, o subjacente crescimento da remuneração ao acionista atingiu 13,9%

Francisco Laranjeira

As remunerações aos acionistas recuperaram o brilho perdido após a eclosão da pandemia – em 2021, regressaram aos níveis pré-Covid e em 2022 registou-se um aumento de 8,4%, para um valor recorde de 1.460 mil milhões de euros: segundo dados do ‘Janus Henderson Global Dividend Index, num ano marcado pela valorização do dólar face às principais divisas, menores dividendos extraordinários e outros fatores técnicos, o subjacente crescimento da remuneração ao acionista atingiu 13,9%.

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O crescimento dos dividendos foi uma tendência generalizada em 88% das empresas, embora existam grandes diferenças por sector: a subida dos preços da energia levou os produtores de petróleo e gás a aumentarem os seus pagamentos em 67%, entre distribuições ordinárias e dividendos extraordinários – este sector foi responsável por quase 25% do aumento dos dividendos globais no ano como um todo.

Um degrau abaixo das empresas de petróleo e gás estiveram os bancos e instituições financeiras, sendo que as empresas nos Estados Unidos, Reino Unido e Europa contribuíram com outros 25% do crescimento de 2022, estendendo assim a forte recuperação de dividendos que o sector desfrutou em 2021.

Por outro lado, o aumento vertiginoso dos custos de frete impulsionou as companhias marítimas em todo o mundo, enquanto os preços crescentes de automóveis e bens de luxo tornou este sector num dos mais importantes impulsionadores do crescimento de dividendos na Europa.

Destacaram-se ainda as empresas ligadas às matérias-primas, as mesmas que um ano antes haviam atingido máximos históricos com a alta de preços que acompanhou o processo de reabertura das economias.

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O crescimento global de dividendos foi tão forte que 12 países alcançaram valores recordes em dólares: Estados Unidos, Canadá, Brasil, China, Índia e Taiwan; outros países registaram recordes nas moedas locais, como França, Alemanha, Japão e Austrália.

Olhando para os próximos meses, Janus Henderson mostrou-se confiante de que a recuperação de dividendos continue em curso mas a um ritmo mais baixo: é estimado um crescimento de dois dígitos para 2023, um aumento de 2,3%, até 1.600 mil milhões de dólares, o que constituirá um novo recorde.

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