Dívidas, tribunal e um projeto de luxo: o negócio imobiliário que abalou o universo benfiquista

O caso remonta a 2024, quando Luís Mendes, então vice-presidente e administrador da SAD encarnada, se demitiu em rutura com Rui Costa

Revista de Imprensa

Um empréstimo de 500 mil euros, um projeto imobiliário de luxo em atraso e uma relação pessoal que acabou em tribunal. A investigação da revista ‘Sábado‘ revela como o empreendimento Dream Living, em Carnaxide, acabou por arrastar para a justiça o presidente do Benfica, Rui Costa, e o seu antigo braço-direito, Luís Mendes, expondo tensões que terão contribuído para uma das ruturas mais marcantes na estrutura do clube.

O caso remonta a 2024, quando Luís Mendes, então vice-presidente e administrador da SAD encarnada, se demitiu em rutura com Rui Costa. Meses depois, avançaria para tribunal para exigir a devolução de um empréstimo de meio milhão de euros concedido à empresa imobiliária do líder do Benfica, num contexto de dificuldades de tesouraria.

Um empréstimo, uma rutura e a ida a tribunal

De acordo com a revista semanal, a dívida estava ligada ao financiamento do Dream Living, um empreendimento residencial de luxo na serra de Carnaxide, cuja conclusão se arrasta há quase oito anos. Apesar de o presidente do Benfica ter manifestado intenção de devolver o montante, o pagamento só foi concretizado após a ação judicial.

O valor final — 502.445,21 euros, incluindo juros e custas — foi liquidado em junho de 2025, cerca de um ano depois da saída de Luís Mendes do clube. Fontes próximas admitem que o processo judicial terá sido uma surpresa e poderá ter agravado o clima de desconfiança entre ambos.

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Projeto milionário marcado por atrasos e processos

No centro da polémica está o Dream Living, um condomínio fechado com seis edifícios e 90 apartamentos, lançado em 2018 com um investimento estimado de 45 milhões de euros. Apesar de uma forte procura inicial — com a maioria das frações vendida ainda em fase de projeto — a obra tem sido marcada por sucessivos atrasos, dificuldades técnicas e aumento dos custos de construção.

A pandemia, a guerra na Ucrânia e a escassez de mão de obra são apontadas como fatores críticos para o desvio dos prazos. A complexidade do terreno terá também contribuído para atrasos significativos.

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Mais de meia década depois, apenas parte do empreendimento está concluída e habitada. Os restantes edifícios continuam por finalizar, sem uma data definitiva para entrega.

Queixas em tribunal e contestação de clientes

Os atrasos já motivaram vários processos judiciais. Entre eles, ações relacionadas com contratos-promessa de compra de apartamentos de luxo e reclamações por alegadas inconformidades nas habitações entregues.

Num dos casos, um proprietário exige uma indemnização de 244 mil euros, alegando que o imóvel não estava em condições de habitabilidade no momento da entrega.

Apesar disso, os promotores mantêm o objetivo de concluir o projeto até ao final de 2026 ou início de 2027, garantindo confiança aos investidores — ainda que admitindo a imprevisibilidade do contexto económico e internacional.

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Um histórico empresarial com obstáculos

A carreira empresarial de Rui Costa, iniciada em 2006, tem sido marcada por vários desafios no setor imobiliário. Ao longo dos anos, enfrentou negócios falhados, processos judiciais e dificuldades financeiras.

Os últimos dados disponíveis mostram que a empresa 10 Invest registou resultados negativos em 2024, refletindo problemas de liquidez que terão motivado o recurso a financiamento junto de pessoas próximas — como Luís Mendes.

Rutura no Benfica com ecos fora do futebol

A relação entre os dois dirigentes, construída ao longo de décadas, acabou por deteriorar-se num contexto de divergências sobre a gestão do clube e decisões estratégicas. Luís Mendes chegou a criticar o modelo de governação do Benfica, alertando para o risco de regressar a práticas do passado.

A dívida nunca foi assumida publicamente como causa da rutura, mas fontes admitem que pode ter contribuído para o desgaste e para a perda de confiança.

O caso evidencia como negócios fora das quatro linhas podem ter impacto direto nos bastidores de um dos maiores clubes portugueses — e como um projeto imobiliário pode transformar-se num problema com consequências desportivas e institucionais.

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