Diversificar para resistir: o papel do GPL perante um grande apagão

Opinião de Filipe Henriques, CEO da Gasib

Executive Digest

Por Filipe Henriques, CEO da Gasib

No dia 28 de abril de 2025, Portugal e Espanha enfrentaram um cenário que até então parecia impossível. Um corte elétrico sem precedentes deixou mais de 50 milhões de pessoas sem fornecimento. Em poucos minutos, comboios e metros pararam, os semáforos apagaram-se, as telecomunicações começaram a falhar e milhares de negócios e indústrias viram a sua atividade interrompida, com um impacto direto tanto na economia como na vida quotidiana, que ficou reduzida ao essencial.

A recuperação foi progressiva, mas esse episódio deixou duas lições claras: evidenciou a vulnerabilidade do nosso sistema energético perante situações extremas e demonstrou a necessidade de diversificar as fontes de fornecimento para mitigar riscos e reforçar a solidez do sistema.

O aniversário do apagão é uma oportunidade para refletir sobre a resiliência energética e questionarmo-nos sobre o que aprendemos, que medidas foram tomadas e que riscos continuamos a ignorar. Aquele dia colocou à prova a nossa capacidade de resposta perante uma crise de grande escala e expôs uma dependência excessiva de uma única fonte de energia.

As imagens que permanecem na memória coletiva refletem algo mais profundo do que uma interrupção pontual. Sem eletricidade, toda uma cadeia que sustenta pagamentos, comunicações e serviços essenciais fica paralisada e, em última análise, a atividade económica do país. A energia, muitas vezes invisível no dia a dia, revelou-se um pilar da nossa sociedade.

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Desde então, tem crescido a preocupação perante a possibilidade de uma situação semelhante. Não por alarmismo, mas pela necessidade de dispor de um sistema energético mais resiliente. Neste contexto, ganha relevância uma energia que sempre esteve presente nos lares e negócios portugueses, mas que nos últimos anos passou quase despercebida no debate público: o gás liquefeito de petróleo (GPL), que inclui gases como o butano e o propano.

A sua relevância vai além de evitar situações como um apagão, uma vez que contribui para diversificar o mix energético no atual contexto de transição energética, ao proporcionar flexibilidade e capacidade de adaptação. Além disso, as suas características permitem-lhe continuar a operar de forma autónoma quando ocorrem interrupções noutros fornecimentos, reforçando a segurança e a continuidade das operações.

Mais do que uma alternativa pontual, o GPL atua como um aliado energético no dia a dia e também em situações excecionais. A sua principal contribuição é a disponibilidade, permitindo satisfazer necessidades energéticas sem depender da rede elétrica. Pode ser utilizado para cozinhar, aquecer água, climatizar espaços ou alimentar processos produtivos, facilitando a manutenção da atividade em lares, comércios e indústrias. Num cenário de apagão, esta capacidade e versatilidade tornam-se fatores críticos.

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A isto soma-se a sua capacidade de funcionar de forma independente, tanto da rede elétrica como de infraestruturas de canalização. Pode ser armazenado em garrafas ou depósitos e utilizado em qualquer momento, mesmo em zonas sem acesso à rede ou durante interrupções prolongadas. Essa disponibilidade imediata faz a diferença quando se fala de planos reais de contingência.

A sua portabilidade e rede de distribuição existente em Portugal facilitam, além disso, a sua chegada a qualquer ponto do território, tanto em contextos urbanos como rurais, uma capilaridade que se torna uma garantia de acesso em momentos de crise.

Do ponto de vista ambiental, o GPL destaca-se pela sua elevada eficiência e por uma combustão mais limpa do que a de outras alternativas, com uma redução de 20% de CO2 face a combustíveis líquidos tradicionais, uma diminuição das emissões de óxidos de azoto (NOx) em 96% face ao gasóleo e em 68% face à gasolina, e uma redução até 99% de outras partículas poluentes.

O fator económico também contribuiu para devolver protagonismo ao butano e ao propano. A realidade demonstra que continuam a ter um papel relevante no sistema energético, através do seu funcionamento simples e o modelo de pagamento permitem controlar o consumo energético, sem custos fixos e com maior previsibilidade da despesa, sabendo em cada momento o que se consome e evitando surpresas na fatura.

A restauração ilustra bem esta realidade: um grande número de profissionais do setor continua a apostar no gás nas suas cozinhas pela sua fiabilidade, potência térmica e controlo no uso diário. Além disso, em situações de apagão, esta escolha ganha um valor adicional ao permitir manter a atividade e continuar a prestar serviço.

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Um ano depois, a principal lição deixada pelo apagão é a importância de dispor de fontes de energia disponíveis em qualquer circunstância. Uma transição energética inclusiva, que não deixa ninguém para trás, exige um mix que responda a diferentes necessidades, especialmente onde a eletrificação nem sempre é possível. Diversificar as fontes de fornecimento e dispor de soluções que funcionem mesmo quando a rede para é uma condição essencial.

Quando tudo para, ganha valor a energia que não se apaga. O apagão de 2025 recordou a importância de contar com fontes de energia próximas, acessíveis e disponíveis, capazes de nos acompanhar em qualquer circunstância. Neste caminho, o GPL não é apenas uma solução para o presente, mas também uma alavanca para o futuro através de alternativas como o biopropano, uma das opções mais sustentáveis derivadas de fontes renováveis e resíduos orgânicos, permitindo continuar a avançar rumo à descarbonização. Dispor deste tipo de energias responde a uma necessidade básica de qualquer sociedade moderna: estar preparada.

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