Discurso de Putin foi um “momento de oportunidade. Importa manter a serenidade”, diz Marcelo

Presidente da República comentou esta quarta-feira o anúncio do líder russo em promover uma mobilização parcial

Francisco Laranjeira

Marcelo Rebelo de Sousa comentou, esta quarta-feira, as ameaças de Vladimir Putin ao Ocidente, no qual acenou a ‘carta nuclear’. Algo que, para o Presidente da República, é natural mas deve ser encarado “com serenidade”.

“Já não é a primeira vez [ameaças de Putin]. Por vezes sobe o tom verbal mas deve ser encarada com serenidade. Foi uma questão de oportunidade, por altura da Assembleia Geral das Nações Unidas – uma coisa é dizer na Assembleia Geral, outra é dizer à distância”, apontou Marcelo. “No momento em que está reunida a AG da ONU, há uma tendência, uma janela de oportunidade, para intervenções mais vocais. Mas o que importa é manter a serenidade.”

A intenção russa em realizar referendos nas regiões ocupadas de Donetsk “vale o que vale”, referiu o Presidente, após uma aula dada no Liceu Pedro Nunes, em Lisboa. “A Europa tem dito sempre que não reconhece os resultados dos plesbicitos – realizados nas circunstâncias conhecidas não têm relevância nenhuma. E não há uma alteração da posição europeia no que vi até agora. A Europa tem tido a preocupação, tal como a NATO, de funcionar como fatores de paz mas mostrando firmeza, valores e princípios, frisando que o objetivo não é uma escalada verbal”, explicou, elogiando o papel da NATO.

“Portugal tem correspondido às solicitações da NATO e vai continuar, dentro dos limites dos seus meios. A NATO tem tido uma posição muito clara e aproxima-se um momento de reforço com a entrada da Finlândia e Suécia, que é muito importante em termos estratégicos e políticos. A NATO tem sido firme q.b. mas serena para fomentar a paz e não desencadear a escalada da guerra”, finalizou Marcelo.

Esta madrugada, durante um discurso à nação, o presidente da Federação Russa disse que perante “a ameaça” que representa o “regime nazi de Kiev”, apoiado financeira e militarmente pelo Ocidente, Moscovo vai recorrer a “todos os meios ao seu dispor para proteger” o país, numa alusão ao armamento nuclear. “Isto não é um ‘bluff'”, avisou.

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