Natividade Barbosa, vice-presidente da Comissão Política Distrital do Chega de Viana do Castelo, anunciou a sua saída do partido com duras críticas à atual direção, acusando a estrutura de promover o mesmo tipo de práticas que diz combater. Num comunicado público divulgado esta quarta-feira, Barbosa denunciou o “compadrio” e a “crescente luta pelo poder pessoal” no seio do partido liderado por André Ventura.
“O Chega, que se diz contra a corrupção e o compadrio, adota exatamente as mesmas práticas que diz combater”, escreveu a dirigente numa carta aberta. “Ignora quem lutou desde o início, quem esteve presente nas ruas, nas lutas e nos momentos difíceis, para promover pessoas com currículo político duvidoso ou que veem na política apenas uma plataforma para os seus objetivos pessoais”, acrescentou.
A principal razão que levou à sua decisão terá sido a nova composição da lista de candidatos do Chega por Viana do Castelo, na qual Natividade Barbosa se viu ultrapassada por Mecia Martins, uma ex-militante do CDS, que assumiu agora a cabeça de lista. Barbosa ocupava a segunda posição na lista, tal como já acontecera nas legislativas de 2024, quando aceitou ser colocada abaixo de Eduardo Teixeira — “ex-militante do PSD e figura conhecida do distrito, por bons mas também por maus motivos”, conforme descreveu.
Na carta, Barbosa faz ainda uma acusação grave, referindo que, segundo declarações de Diogo Pacheco de Amorim no jantar de encerramento da campanha em Valença, essa nomeação teria resultado de um “pagamento de favores a André Ventura, desde os tempos em que este era deputado único na Assembleia”. A dirigente não especifica em que moldes esses favores terão ocorrido, mas afirma que a lógica de clientelismo é cada vez mais evidente dentro do partido.
Com um percurso de cinco anos como militante do Chega, Natividade Barbosa recorda que enfrentou diversos obstáculos e ataques dentro e fora da estrutura partidária. “Agressões físicas, difamações, ataques internos e externos – provenientes de pessoas mal-intencionadas, contrárias ao partido e até de elementos internos que, infelizmente, colocaram os seus interesses pessoais acima dos princípios que diziam defender”, escreveu, sem nomear os responsáveis por essas ações.




