O ex-ministro da Administração Interna, Manuel Dias Loureiro, é outros dos nomes que aparece na investigação espanhola sobre as suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais que visam o ex-embaixador espanhol na Venezuela, Raúl Morodo, e o seu filho Alejo, casado com uma filha do antigo político português, avança a “Sábado”.
Em causa está a venda, em Julho de 2017, de uma casa que uma empresa do antigo ministro fez à filha e ao genro em 2017 por cerca de um quarto do seu real valor. Em declarações ao “Público”, Dias Loureiro assume que foi uma venda especial pelo facto de a compradora ser a filha.
Com base em documentos do processo a que teve acesso, a “Sábado” adianta que o Fisco espanhol se interessou por um negócio da compra de um apartamento por parte de Alejo Morodo e da mulher, que pode configurar um eventual crime de branqueamento de capitais. Trata-se da aquisição de um apartamento com 242 metros quadrados numa das zonas mais caras de Madrid que o casal, casado em separação de bens, comprou em Julho de 2017 à firma DL -Gestão e Consultoria S.A.
A sociedade anónima que tem como administrador único Manuel Dias Loureiro é, segundo o que o próprio disse ao “Público”, exclusivamente sua. «Foi uma sociedade criada há mais de 20 anos em meu nome, da minha então mulher e das minhas filhas», disse Dias Loureiro, que explica que quando se divorciou comprou a parte da mulher.
Foi a DL-Gestão e Consultoria que, em 2002 comprou a tal casa de Madrid, para onde a filha e o genro, que se tinham casado no ano anterior, foram viver. «Dei uma casa a cada uma das minhas filhas. A de Madrid custou 800 mil euros.» O valor da compra foi sendo amortizado nas contas da sociedade e, em 2017, quando decidiu transferi-la para a filha, fê-lo nas condições possíveis. «Foi vendida por 350 mil euros porque era o valor contabilístico da casa na DL. Era o preço mínimo de venda. A empresa não podia doá-lo», argumenta o antigo secretário-geral do PSD.
A filha não teria o dinheiro todo para lhe pagar, logo o genro também ficou com uma parcela de 22%. Por isso, não estranha que no ano seguinte à transacção o apartamento fosse avaliado por 1.321.091 euros, quase quatro vezes mais do que o valor do negócio inscrito na escritura.














