O Dia Mundial da Língua Portuguesa assinala-se esta terça-feira com iniciativas em Lisboa, Porto e Madrid, numa celebração que junta literatura, música, memória, gastronomia e reflexão sobre o futuro da língua. A data foi proclamada pela UNESCO em 2019, depois de já ter sido instituída em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa como Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP.
Segundo a UNESCO, o 5 de maio foi oficialmente estabelecido pela CPLP em 2009 para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas. Dez anos depois, a 40.ª sessão da Conferência Geral da UNESCO proclamou a data como Dia Mundial da Língua Portuguesa, dando dimensão global a uma língua falada em vários continentes.
A efeméride procura afirmar o português como língua de cultura, conhecimento, diplomacia, ciência, economia e cooperação. O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua sublinha que a celebração pretende valorizar a língua portuguesa enquanto língua global, associada à cultura, à diplomacia e à paz.
Lisboa junta academias, escritores e leituras de ‘Os Lusíadas’
Em Lisboa, a cerimónia comemorativa decorre no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, organizada pelo presidente da Academia das Ciências de Lisboa, pelo presidente da Academia Brasileira de Letras, pela presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e pelo diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa.
A sessão começa às 15h00 com saudações institucionais, seguindo-se a abertura por António Sampaio da Nóvoa. A partir das 15h30, o programa dá lugar ao painel “A língua é literatura”, com testemunhos de Ana Paula Tavares, Antônio Torres, Germano Almeida, José Eduardo Agualusa, Lídia Jorge e Mia Couto.
Às 16h30 será apresentado o Atlas Lexicográfico da Língua Portuguesa, por João Neves, Ricardo Cavaliere e Ana Salgado, numa sessão intitulada “A língua é palavra”. O programa termina com “A língua é Camões, poesia e música”, que inclui leituras de estrofes de ‘Os Lusíadas’ em português e noutras línguas, acompanhadas por apontamentos musicais.
Também em Lisboa, o Secretariado Executivo da CPLP promove, entre as 11h30 e as 14h00, na sede da organização, a exibição do documentário ‘Músicas da Resistência’, de Timor-Leste, integrado no programa CPLP Audiovisual, e uma mostra gastronómica dos Estados-membros da CPLP.
Porto acolhe encontro sobre língua, literatura e futuro comum
No Porto, o Centro Português de Fotografia recebe o encontro “Esta Língua que Nos Une”, uma iniciativa dedicada à língua portuguesa como espaço vivo de criação literária, memória partilhada, circulação cultural e futuro comum entre Portugal, Brasil e o mundo lusófono.
O encontro é promovido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, em parceria com a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa e o Centro Português de Fotografia. Junta escritores, intelectuais, curadores, professores e representantes institucionais dos dois lados do Atlântico.
A sessão de abertura está marcada para as 10h00, com intervenções de Teresa Leitão, senadora brasileira, Luís Álvaro Campos Ferreira, secretário-geral da UCCLA, e José Manuel Diogo, presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos.
Às 10h30, a primeira mesa, “A Língua em Estado de Invenção”, reúne o escritor brasileiro Sérgio Rodrigues e o ensaísta português Arnaldo Saraiva, com moderação de José Manuel Diogo. A conversa abordará a língua como criação viva, cruzando norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.
Ao meio-dia será apresentado o projeto “O Mundo da Lusofonia”, desenvolvido pelo Agrupamento de Escolas da Caparica, com parceria pedagógica da UCCLA e participação de escolas de Portugal, Cabo Verde e Brasil. A iniciativa trabalha a língua portuguesa como instrumento de comunicação, colaboração entre povos, cidadania global e valorização da diversidade multicultural dos países de língua oficial portuguesa.
Durante a tarde, o programa prossegue com a mesa “Corpo, Memória e Travessia”, às 15h00, com o escritor brasileiro Álvaro Filho e a escritora portuguesa Inês Pedrosa, moderados por Ângela Berlinde. Às 16h30, a mesa “Poesia, Mundo e Futuro da Língua” contará com José Gardeazabal e o poeta brasileiro José Inácio Vieira de Melo, com moderação de Maria Bochicchio.
Às 17h45 será lançada a Leitura Coletiva Global de ‘Os Lusíadas’, projeto internacional concebido pela Associação Portugal Brasil 200 anos. A iniciativa convoca leitores de diferentes países lusófonos e das diásporas a partilharem, em voz alta, estrofes do poema camoniano.
O encerramento, às 18h15, será feito com um recital de José Inácio Vieira de Melo, poeta, jornalista e curador alagoano radicado na Bahia.
Madrid celebra com Dulce Maria Cardoso, Luís Carlos Patraquim e música do Brasil
Em Madrid, a Casa de América, a Embaixada de Portugal em Espanha e o Instituto Camões organizam uma celebração no Salón Embajadores da Casa América.
O programa inclui um diálogo entre a escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso e o poeta, dramaturgo e ensaísta moçambicano Luís Carlos Patraquim, moderado por Anabela Mota Ribeiro. A sessão contará ainda com presença do Brasil através da performance musical de Sol Homar Osimani.
O evento está marcado para as 18h30 em Madrid, 17h30 em Lisboa.
Uma língua de vários continentes
A celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa é também uma forma de sublinhar a diversidade de uma língua que não pertence a um só país. O português é língua oficial em Estados da Europa, América do Sul, África e Ásia, e é falado por comunidades espalhadas por todo o mundo.
A data procura, por isso, celebrar não apenas a língua enquanto instrumento de comunicação, mas também as culturas, literaturas, sotaques, memórias e identidades que nela se cruzam.
De Camões a Mia Couto, de Lisboa a Madrid, do Porto à CPLP, o 5 de maio afirma o português como língua de património, criação e futuro.




