Assinala-se esta quinta-feira, 12 de maio, o Dia Internacional da Enfermagem. Nessa ocasião, a Multinews falou com a bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), Ana Rita Cavaco, sobre os principais problemas do setor.
O primeiro apontado pela responsável é o salário, que considera ser “inaceitável” tendo em conta o trabalho desenvolvido e o número de horas trabalhadas. “O número de horas exercidas por enfermeiros semanalmente está próximo das 70”, sublinha.
“A maioria dos enfermeiros ganha 1200 euros brutos, ou seja, leva para casa, menos de 1000 euros por mês. Não é um salário aceitável, muito menos para uma profissão altamente técnica”, defende, adiantando que “a maioria dos enfermeiros são licenciados e 34% são especialistas”.
Para além disso, questões como a devolução dos pontos, ou a redução da idade da reforma, são vista pela bastonária como “urgentes” e “prioritárias”, à semelhança da visão que se tem da profissão.
“É urgente a devolução dos pontos aos Enfermeiros e é prioritário avançar para a redução da idade da reforma”, aponta pedindo que se “assuma, de uma vez por todas, que estamos perante uma profissão que tem de ser considerada de risco e de desgaste rápido”.
Por conta destes problemas que não tornam a profissão “atrativa” para os enfermeiros portugueses, foram milhares os que desde que a pandemia começou em Portugal, decidiram sair do país.
“Desde o início da pandemia, em 2020, mais de 2000 Enfermeiros solicitaram à Ordem a declaração para efeitos de emigração”, refere Ana Rita Cavaco, sublinhando que “no total, a OE recebeu 2143 pedidos de declarações: 1230 em 2020 e 913 em 2021”. Dados de 2022 só serão conhecidos “no final do primeiro semestre”, aponta.
Questionada sobre a posição do Governo no que diz respeito aos problemas e exigências da classe, a bastonária mostrou-se “satisfeita” com o compromisso assumido pelo secretário de estado adjunto e da saúde, António Lacerda Sales”.
O governante, “deixou a promessa no último dia do Congresso dos Enfermeiros, no passado fim de semana, de valorizar as carreiras dos Enfermeiros, através da reposição dos pontos perdidos”, revelou. “Assistimos com satisfação a esta promessa e aguardamos”, conclui.
A corroborar estas declarações está um estudo recente sobre as Condições de Vida e de Trabalho dos Enfermeiros em Portugal, feito nos últimos dois anos, que concluiu que quase dois terços já consideraram mudar de profissão devido às condições de trabalho e seis em cada 10 têm que fazer horas extraordinárias devido aos baixos salários.
A investigação revelou ainda que 67% dos enfermeiros não gostavam que um filho ou filha seguisse a sua profissão, metade não recomendariam a vida de enfermeiro a um amigo e 66% não consideram a sua remuneração aceitável, tal como referiu Ana Rita Cavaco.
A par disso, o estudo descobriu também que 55% dos enfermeiros confessam já ter agido contra os códigos de ética e normas de conduta por constrangimentos materiais ou orientações da instituição, uma conclusão que a bastonária não quis comentar. “Essa questão tem que colocar ao Executivo, pois o que está em causa é falta de materiais e a falta de enfermeiros”, sublinhou apenas.













