Dez anos do atentado de Nice: França homenageia hoje as 86 vítimas com cerimónias, drones e feixes de luz

A cidade francesa de Nice assinala esta terça-feira o décimo aniversário do atentado terrorista que, em 2016, matou 86 pessoas e feriu mais de 400 durante as celebrações do Dia da Bastilha.

Pedro Zagacho Gonçalves

A cidade francesa de Nice assinala esta terça-feira o décimo aniversário do atentado terrorista que, em 2016, matou 86 pessoas e feriu mais de 400 durante as celebrações do Dia da Bastilha. Uma década depois daquela que continua a ser uma das mais mortíferas ações terroristas da história recente de França, o país presta uma homenagem nacional às vítimas, numa cerimónia presidida pelo Presidente francês, Emmanuel Macron.

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O programa comemorativo culmina hoje com vários momentos simbólicos destinados a recordar as vítimas, homenagear os sobreviventes, os familiares e todos os profissionais que responderam à tragédia, encerrando dois dias de iniciativas dedicadas à memória e à resiliência da cidade mediterrânica.

Cerimónia nacional marca o momento central das homenagens
As principais cerimónias decorrem esta terça-feira, coincidindo com o Dia da Bastilha. Apesar da realização do tradicional desfile militar na Place Masséna, às 09h00, o principal momento das comemorações está reservado para as 18h15, quando terá início a cerimónia nacional, presidida por Emmanuel Macron e pela primeira-dama, Brigitte Macron.

O protocolo foi concebido para simbolizar tanto as vítimas como aqueles que responderam imediatamente ao ataque.

A cerimónia começará com a entrada de 43 crianças e 43 elementos dos serviços de emergência, representando o auxílio prestado às vítimas naquela noite de 14 de julho de 2016.

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Serão igualmente colocadas 86 cadeiras, cada uma acompanhada por um ramo de oliveira, em homenagem às 86 pessoas que perderam a vida. Seguir-se-á a deposição de uma coroa de flores por Emmanuel Macron e a realização de um minuto de silêncio.

O programa inclui ainda uma passagem aérea da Patrouille de France, discursos de representantes das associações de vítimas, do presidente da Câmara de Nice, Éric Ciotti, e do Presidente francês, antes das interpretações de La Marseillaise e de Nissa la Bella pelo Coro da Ópera de Nice.

Após a cerimónia pública, Emmanuel Macron deverá reunir-se, em privado, com familiares das vítimas e elementos das equipas de emergência que participaram nas operações de socorro.

Drones, música e 86 feixes de luz encerram o dia
As homenagens prolongam-se pela noite.

A partir das 20h30, a Orquestra Filarmónica de Nice atua no Théâtre de Verdure, antecedendo um espetáculo com 2.016 drones sobre a Baía dos Anjos, marcado para as 22h00.

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O encerramento das cerimónias está previsto para as 22h34, precisamente à hora em que começou o atentado, há dez anos.

Nesse momento, 86 feixes de luz azul serão projetados para o céu durante duas horas, um por cada vítima mortal do ataque.

Marcha silenciosa abriu as comemorações
As iniciativas comemorativas arrancaram no domingo com uma marcha silenciosa ao longo da Promenade des Anglais, reunindo cerca de mil participantes.

Vestidos maioritariamente de branco e transportando rosas brancas, familiares das vítimas, sobreviventes, habitantes locais e representantes institucionais percorreram o mesmo trajeto onde ocorreu o ataque.

A marcha foi liderada por cerca de 300 familiares das vítimas e contou com a presença de representantes das quatro associações de vítimas envolvidas na organização das cerimónias, bem como do presidente da Câmara, vereadores, representantes do Estado, do Ministério Público, bombeiros e membros do OGC Nice.

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Durante o percurso foi realizada uma cerimónia de deposição de flores junto à escultura L’Ange de la Baie, da autoria do escultor Jean-Marie Fondacaro, instalada próximo do local onde o camião foi finalmente intercetado e onde o atacante foi abatido pela polícia.

Para Patrick Prigent, presidente da associação Life for Nice, a passagem dos dez anos representa “um momento importante”.

“Ajuda perceber que não estamos sozinhos e que as pessoas também fazem deste momento algo importante”, afirmou, acrescentando que esta década representa uma oportunidade para “virar a página — não fechar o livro, mas virar a página”.

Cerimónia inter-religiosa antecedeu o tributo nacional
Na segunda-feira realizou-se uma cerimónia inter-religiosa reservada às vítimas e respetivas famílias, na Villa Masséna.

O encontro terminou com o acendimento de 86 velas junto ao memorial existente nos jardins da villa, tantas quantas as vítimas mortais do atentado.

O edifício acolhe igualmente, até 27 de julho, a exposição “Nice: Ten Years of Memory and Resilience”, dedicada à memória da tragédia e ao processo de recuperação da cidade.

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O atentado que marcou França
Na noite de 14 de julho de 2016, durante as celebrações do Dia da Bastilha, um camião de mercadorias com cerca de 19 toneladas foi deliberadamente lançado contra milhares de pessoas que assistiam ao espetáculo de fogo de artifício na Promenade des Anglais.

O veículo percorreu vários quilómetros, atropelando indiscriminadamente a multidão, provocando a morte de 86 pessoas e deixando mais de 400 feridos.

O ataque foi levado a cabo por Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, cidadão tunisino residente em França, que atuou em nome do autoproclamado Estado Islâmico.

Entre os locais particularmente marcados pela tragédia encontra-se o Hospital Pediátrico Lenval, onde começaram a chegar muitas das vítimas e onde centenas de crianças receberam posteriormente acompanhamento psicológico devido ao trauma provocado pelo atentado.

Uma década depois, Nice continua a recordar
Dez anos após um dos atentados mais traumáticos da história contemporânea francesa, Nice procura equilibrar memória e futuro.

As cerimónias desta terça-feira pretendem recordar cada uma das vítimas, reconhecer o sofrimento dos sobreviventes e das famílias e homenagear todos aqueles que responderam naquela noite de julho de 2016.

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Ao iluminar o céu com 86 feixes de luz azul exatamente à hora em que começou o ataque, a cidade encerra uma década de memória coletiva, reafirmando o compromisso de nunca esquecer uma tragédia que marcou para sempre Nice, França e a Europa.

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