Frustrados, os espanhóis exigem saber o paradeiro do ex-rei Juan Carlos I depois de ter deixado o país de forma abrupta, na sequência de vários escândalos nos quais se encontra envolvido, avança a agência ‘Reuters’.
Sem informações por parte das autoridades sobre onde se encontra, a saída dramática do rei emérito, com 82 anos, anunciada na segunda-feira, desencadeou um jogo de mistério mas também de revolta pela incógnita do seu paradeiro.
«Deviam confessar, deviam dizer onde é que ele está», disse Jorge Llubero, um aluno de 18 anos em Madrid. «Não deveria haver tanto segredo», acrescentou o jovem citado pela ‘Reuters’.
Segundo a imprensa espanhola o ex-rei, que abdicou do trono em favor do seu filho Filipe em 2014, pode ter deixado o país já no passado domingo.
Alguns dizem que Juan Carlos I está agora na República Dominicana e outros apontam para Portugal, país onde passou grande parte de sua juventude. Contudo as autoridades de ambos os países disseram não ter conhecimento da sua chegada.
Juan Carlos disse que iria deixar Espanha para que o reinado do seu filho não fosse perturbado pelos seus assuntos pessoais.
De recordar que em Junho, a o Supremo Tribunal de Espanha abriu uma investigação preliminar sobre o envolvimento de Juan Carlos num contrato de ferrovia de alta velocidade na Arábia Saudita, depois de o o jornal suíço ‘La Tribune de Geneve’ ter avançado que o ex-monarca tinha recebido 100 milhões de dólares do falecido rei saudita.
Seguiu-se um fluxo constante de notícias sobre o sucedido, com o ‘El Confidencial’ a publicar documentos que pareciam mostrar levantamentos regulares de centenas de milhares de euros de uma conta suíça assinada por Juan Carlos.
O ex-monarca não está formalmente sob investigação, recusando repetidamente comentar as alegações. O seu advogado, o palácio real e o governo recusam-se a dizer qual o seu paradeiro actual.
«Isto vai contra o objectivo de acalmar a situação», disse Ignacio Jurado, professor de ciências políticas da Universidade Carlos III de Madrid, sobre o sigilo. «Provavelmente o rei (Felipe) teria gostado de lidar com a situação de outra forma, mas por respeito ao pai, deixou-o ter a palavra final», acrescentou.
Juan Carlos subiu ao trono em 1975 após a morte do general Francisco Franco e era amplamente respeitado pelos espanhóis, ainda que a sua popularidade tenha vindo a cair nos últimos anos.













