Devemos “virar as mesas” do Kremlin. Chega de linhas vermelhas” da NATO na Ucrânia, pede aliado de Macron

Com as tropas russas na ofensiva na linha da frente, Benjamin Haddad – um membro do Parlamento que representa o partido de Macron e considerado uma voz de liderança nas relações externas francesas – defende que o bloco ocidental deve procurar “virar as mesas” no Kremlin

Francisco Laranjeira

Um porta-voz do Partido Renascimento, do presidente francês Emmanuel Macron, alerta, esta quinta-feira, para os países da NATO pararem de “negociar” entre si a extensão do compromisso aliado para com a Ucrânia.

Com as tropas russas na ofensiva na linha da frente, Benjamin Haddad – um membro do Parlamento que representa o partido de Macron e considerado uma voz de liderança nas relações externas francesas – defende que o bloco ocidental deve procurar “virar as mesas” no Kremlin.

“Devíamos parar de negociar connosco próprios e de impor linhas vermelhas e limites a nós próprios”, refere Haddad, em entrevista à margem da Conferência Lennart Meri em Tallinn, Estónia. “Temos um adversário – a Rússia – que não impôs tais limites ao seu comportamento ou retórica.”

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“Perdemos muito tempo com os tipos de munição ou armamento que enviamos”, indica Haddad. “Imagine se no início da guerra, ou durante a contraofensiva, tivéssemos dado à Ucrânia tudo o que precisava em termos de mísseis de longo alcance, tanques, aviões; que diferença isso poderia ter feito no terreno.”

“Precisamos de virar a mesa contra Putin e não excluir nada, e dizer-lhe que o tempo não está a jogar a seu favor. Que estamos prontos não apenas a aumentar o nosso apoio, mas também para aumentar a natureza do nosso apoio”, aponta.

França tem sido um dos aliados de Kiev mais interessado em apontar a “ambiguidade estratégica” da NATO no seu envolvimento na Ucrânia – recorde-se que Emmanuel Macron já salientou que seria “errado descartar” qualquer ação. “Passamos muito tempo preocupados com a escalada, quando a Rússia é o país que está a escalar”, sublinha Haddad, que explica a abordagem de Macron ao conflito na Ucrânia.

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“Teria consequências diretas para a segurança do futuro da UE se a Rússia vencesse”, refere. “Precisamos de pensar criativamente sobre a natureza com que fazemos as coisas.” Incluindo a utilização do guarda-chuva de defesa aérea da NATO para proteger áreas do oeste da Ucrânia contra mísseis e drones russos, uma proposta que Haddad garante ser “certamente algo que vale a pena discutir”.

A realocação das operações de manutenção de armas ocidentais dentro da Ucrânia também aliviaria um pouco a extensa cadeia logística de Kiev. “Se pudéssemos localizar todo o processo, desde o treino até a manutenção, na Ucrânia, seria um enorme ganho em termos de tempo e recursos”, aponta, sublinhando que o ímpeto está “claramente” a crescer para compromissos mais profundos da NATO dentro da Ucrânia. “Acho que há impulso, mas acho que ainda há resistência a ser superada. É importante ter decisões coordenadas, mas claramente vimos uma conversa a começar na região.”

“O desafio para nós, para além do curto prazo, é como podemos ajudar a Ucrânia a defender-se a longo prazo e, ao mesmo tempo, defender-nos e aumentar a nossa própria ambição a nível europeu”, conclui Haddad.

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