O plano encontra-se numa fase inicial de análise e prevê a criação de uma nova sociedade que lançaria uma oferta em ações sobre ambas as empresas. Esta estrutura permitiria integrar as operações da Deutsche Telekom e da T-Mobile numa única entidade, mantendo a participação dos atuais acionistas de ambas as companhias.
Atualmente, a Deutsche Telekom detém cerca de 53% da T-Mobile, mas a proposta vai além dessa relação, apontando para uma integração total das operações nos Estados Unidos e na Europa. O grupo resultante poderá vir a estar cotado simultaneamente nos mercados norte-americano e europeu.
Qualquer avanço neste processo dependerá fortemente de apoio político tanto em Berlim como em Washington. O Estado alemão, juntamente com o banco público KfW, controla cerca de 28% da Deutsche Telekom, garantindo uma posição relevante nas decisões estratégicas da empresa.
Entre os possíveis condicionantes da operação estão compromissos de investimento nos Estados Unidos e a manutenção de uma presença significativa na Alemanha. A nova entidade poderá ser sediada fora do território alemão, numa jurisdição europeia considerada neutra, à semelhança de modelos adotados em outras grandes fusões internacionais.
Um dos exemplos citados é a fusão entre Praxair e Linde, que foi estruturada através de uma holding na Irlanda. Essa operação permitiu a integração das duas empresas e a sua posterior cotação em bolsas internacionais, nomeadamente em Nova Iorque e Frankfurt.
Caso se concretize, a fusão poderá ajudar a reduzir o desconto de valorização com que a Deutsche Telekom negoceia face à sua subsidiária norte-americana, considerada mais rentável. Atualmente, a T-Mobile apresenta uma capitalização de mercado próxima dos 217 mil milhões de dólares, enquanto a Deutsche Telekom ronda os 141 mil milhões de euros.
Nos últimos 12 meses, ambas as empresas registaram quedas em bolsa, com a T-Mobile a recuar cerca de 22% e a Deutsche Telekom aproximadamente 10%.
O diretor executivo da Deutsche Telekom, Tim Höttges, já tinha alertado para os desafios regulatórios existentes na Europa, especialmente no que diz respeito à criação de grandes grupos tecnológicos capazes de competir à escala global. Segundo o responsável, o valor da empresa está cada vez mais dependente do seu negócio nos Estados Unidos.
Apesar do potencial da operação, não há garantias de que o plano avance. As duas empresas já analisaram anteriormente diferentes formas de integração sem sucesso. O atual contexto político internacional, marcado por tensões comerciais entre os Estados Unidos e a Europa, acrescenta complexidade ao processo, numa altura em que a União Europeia pondera flexibilizar as regras de fusões para incentivar a criação de grandes grupos empresariais globais.













