Detritos de asteroide desviado pela NASA podem cair na Terra nos próximos 10 anos, alertam cientistas

s investigadores realizaram simulações que rastrearam 3 milhões de partículas de detritos resultantes da missão DART (Double Asteroid Redirection Test), na qual uma nave espacial colidiu com o asteroide Dimorphos em 2022.

Pedro Gonçalves
Setembro 1, 2024
15:30

Um estudo recente sugere que detritos provenientes de um asteroide desviado pela NASA podem atingir a Terra na próxima década. Os investigadores realizaram simulações que rastrearam 3 milhões de partículas de detritos resultantes da missão DART (Double Asteroid Redirection Test), na qual uma nave espacial colidiu com o asteroide Dimorphos em 2022.

A missão DART, lançada pela NASA em novembro de 2021 a partir da Califórnia, teve como objetivo testar a capacidade de desviar um asteroide que pudesse ameaçar a Terra no futuro. Após uma viagem de 10 meses, a nave atingiu Dimorphos em setembro de 2022, um asteroide com cerca de 170 metros de diâmetro que orbita um asteroide maior, Didymos, a aproximadamente 11 milhões de quilómetros da Terra. A colisão ocorreu a uma velocidade superior a 22 mil quilómetros por hora, destruindo a nave no impacto e provocando um ligeiro desvio na trajetória de Dimorphos.

Este impacto foi considerado um sucesso, demonstrando a eficácia da técnica de impactador cinético, que envolve o embate deliberado de uma nave espacial contra um asteroide para alterar a sua trajetória. Esta abordagem pode um dia ser utilizada pela NASA para proteger a Terra de um asteroide potencialmente perigoso (PHA).

Apesar do sucesso inicial, os cientistas continuam a estudar as consequências da missão DART para garantir que a técnica possa ser aplicada de forma segura no futuro. Um dos principais focos de investigação é o destino dos detritos, gerados pela colisão.

Para compreender o percurso dos detritos, uma equipa internacional de investigadores utilizou dados recolhidos pelo LICIACube (Light Italian CubeSat for Imaging of Asteroids), um pequeno satélite equipado com câmaras que acompanhou a missão DART e documentou o impacto cinético. Com base nestas observações, os cientistas recorreram a supercomputadores do NASA’s Navigation and Ancillary Information Facility (NAIF) para simular o possível destino dos detritos.

Os fragmentos analisados variam em tamanho, desde 30 micrómetros até 10 centímetros. Os resultados das simulações indicam que alguns destes detritos poderão chegar à Terra dentro de uma década, dependendo da velocidade a que foram lançados após o impacto. Especificamente, fragmentos que viajem a mais de 5.400 quilómetros por hora poderão alcançar a Terra em aproximadamente sete anos. No entanto, a maioria dos detritos pode demorar até 30 anos para ser observada no nosso planeta.

Eloy Peña-Asensio, investigador do Instituto Politécnico de Milão e autor principal do estudo, afirmou ao Universe Today que, devido ao seu pequeno tamanho, os fragmentos mais rápidos são provavelmente demasiado pequenos para produzir meteoros visíveis. Contudo, salientou que campanhas contínuas de observação de meteoros serão cruciais para determinar se a missão DART poderá ter criado uma nova chuva de meteoros, denominada Dimorfides.

Embora estes detritos não representem uma ameaça para o planeta, uma vez que deverão queimar na atmosfera, criando apenas “um belo rasto luminoso no céu”, como explicou Peña-Asensio, a possibilidade de monitorizar e estudar este fenómeno oferece uma oportunidade única para os cientistas entenderem melhor as consequências de missões de desvio de asteroides.

O estudo, que foi publicado online como pré-impressão e ainda está a aguardar revisão por pares, foi aceite para publicação no The Planetary Science Journal. Este trabalho reforça a importância de continuar a estudar e aperfeiçoar as técnicas de defesa planetária, à medida que a humanidade se prepara para enfrentar possíveis ameaças vindas do espaço.

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