“Detetar o indetetável”: cientistas procuram vacina para travar cancros 20 anos antes de surgirem

Gigante farmacêutica GSK e a Universidade de Oxford, no Reino Unido, uniram-se para criar uma vacina que tem como alvo células em estágio pré-canceroso

Francisco Laranjeira

Os cientistas trabalham para criar uma nova vacina contra o cancro para “detetar o indetetável” e interromper a doença até 20 anos antes de a doença ter oportunidade de se desenvolver: a gigante farmacêutica GSK e a Universidade de Oxford, no Reino Unido, uniram-se para criar uma vacina que tem como alvo células em estágio pré-canceroso.

De acordo com o jornal ‘The Guardian’, a universidade britânica tem experiência de liderança mundial no estudo da biologia pré-cancro, através do meio da identificação e sequenciamento de neoantígenos, as proteínas que se formam em células cancerígenas e que podem ser alvos de medicamentos.

Segundo Sarah Blagden, diretora da parceria, o cancro “não surge do nada”. “Sempre se imagina que leva cerca de um ou dois anos para se desenvolver no seu corpo, mas na realidades sabemos que os cancros podem levar até 20 anos, às vezes até mais, para se desenvolver, conforme uma célula normal faz a transição para se tornar cancerosa”, frisou, à ‘Radio 4 da BBC’.

“Sabemos que, na verdade, naquele ponto, a maioria dos cancros são invisíveis quando estão a passar por isso, o que agora chamamos de estágio pré-cancro. E então o propósito da vacina não é vacinar contra o cancro estabelecido, mas vacinar de facto contra esse estágio pré-cancro”, apontou.

O Programa de Imunoprevenção do Cancro da GSK-Oxford foi lançado com base em vários avanços tecnológicos e científicos que tornaram possível o desenvolvimento de vacinas contra o cancro, apontou Blagden. “Temos sorte porque houve uma quantidade enorme de avanços técnicos que significam que podemos começar a ser capazes de detetar o indetetável”, frisou. “E a partir disso, conseguimos descobrir quais características essas células têm enquanto estão em transição para o cancro, e assim podemos projetar uma vacina especificamente direcionada para isso.”

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Como parte do acordo, a GSK investirá até 50 milhões de libras (quase 60 milhões de euros) ao longo de três anos no programa, que analisará como identificar vulnerabilidades em células pré-cancerígenas com vacinas ou medicamentos direcionados.

“Estamos satisfeitos em fortalecer ainda mais o nosso relacionamento com a Universidade de Oxford e combinar o profundo conhecimento dos cientistas de Oxford e da GSK. Ao explorar a biologia pré-cancro e aproveitar a experiência da GSK na ciência do sistema imunológico, pretendemos gerar ‘insights’ importantes para pessoas em risco de desenvolver cancro”, reconheceu o diretor científico da GSK, Tony Wood.

Atualmente, mais de 385 mil pessoas são diagnosticadas com cancro por ano no Reino Unido, e mais de 167 mil pessoas morrem por causa dele por ano, de acordo com dados do ‘Cancer Research UK’.

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