Destruição de 300 mil empregos e preço dos alimentos a disparar. As consequências de um «não acordo» do Brexit

Se um acordo comercial do Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) não for alcançado, vão perder-se cerca de 300 mil postos de trabalho. Para além disso os preços dos alimentos vão disparar.

Simone Silva

Se um acordo comercial do Brexit entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) não for alcançado, vão perder-se cerca de 300 mil postos de trabalho. Para além disso os preços dos alimentos vão disparar, de acordo com a ‘CNN’.

Com apenas alguns dias a faltar para que ambas as partes consigam um acordo as apostas nunca foram tão altas. Mas as negociações correm, mais uma vez, o risco de falhar em três pontos críticos: direitos de pesca, ajuda governamental para empresas e disputas entre britânicos e o bloco.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, terá que decidir se faz sentido manter as suas armas quanto à soberania nacional nestas três áreas, tendo em conta o preço económico que o Reino Unido terá de pagar em caso de fracasso. Sair da UE significa custos mais elevados para as empresas britânicas em quaisquer circunstâncias, mas sair sem um novo acordo comercial pode ser «catastrófico», revela  ‘CNN’.

As empresas britânicas, que já sofrem com a crise de saúde pública da Covid-19, arriscam-se a perder um acesso livre de tarifas e cotas a um mercado de 450 milhões de consumidores que compra quase metade das exportações britânicas e oferece uma percentagem  semelhante das suas importações.

Para o bloco, o Reino Unido é menos importante, respondendo por apenas 4% das exportações em 2019 e 6% das importações, segundo o Instituto Ifo, grupo de pesquisa alemão. O Brexit significa que ambos os lados perdem, mas o Reino Unido perde consideravelmente mais», disse Lisandra Flach, diretora do Centro Ifo para Economia Internacional, num comunicado emitido na terça-feira.

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Segundo a ‘CNN’ a saída do Brexit sem acordo ria reduzir a produção britânica em 2% em 2021, ou em cerca de 40 mil milhões de libras, fazendo com que mais de  300 mil pessoas fossem enviadas «para a linha de desemprego» no segundo semestre do próximo ano. Isto numa altura em que o Reino Unido já enfrenta uma crescente crise de empregos e sofre a sua pior recessão em mais de 300 anos como resultado da pandemia.

«Os efeitos a longo prazo [de um Brexit sem acordo] seriam maiores do que o efeito a  longo prazo da Covid-19», disse o governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, ao parlamento no mês passado. «Demora muito mais tempo para que o que chamo de lado real da economia se ajuste à mudança na abertura e no perfil do comércio», acrescentou.

Para além disso, o custo dos alimentos que chegam ao Reino Unido também deve aumentar, segundo o ministro do Meio Ambiente, George Eustice., que referiu à LBC, numa entrevista no domingo, que as tarifas poderiam adicionar quase 2% aos preços dos alimentos.

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Cerca de 70% das importações de alimentos e bebidas do Reino Unido em valor vêm da União Europeia, de acordo com dados alfandegários. A Marks & Spencer ( MAKSY ), uma das maiores redes de supermercados britânicos alertou no mês passado para um provável aumento nos preços dos alimentos na ausência de um acordo.

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