Desemprego de longa duração deve aumentar 38% na zona euro este ano

Espera-se que no decorrer do presente ano, o desemprego de longa duração na Zona Euro atinja os 6,6 milhões no terceiro trimestre, «o que representa um aumento de cerca de 38% face ao que se verificava antes da pandemia de Covid-19.

Simone Silva

O desemprego de longa duração na Zona Euro deverá atingir os 6,6 milhões no terceiro trimestre deste ano, «o que representa um aumento de cerca de 38% face ao que se verificava antes da pandemia de Covid-19 (4,8 milhões)». A conclusão é do estudo «Covid-19 one year on: 1.8 million additional long-term unemployed in Europe», da Euler Hermes.

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Num comunicado enviado às redações, a COSEC, da qual a Euler Hermes é acionista, refere que a pesquisa mostra que «perante a expectativa de uma retoma económica lenta e gradual, a par de uma recuperação tímida dos mercados de trabalho da Zona Euro durante o próximo ano, existe um risco acrescido de que o choque cíclico no mercado de trabalho se torne estrutural, com os números do desemprego a estabilizarem-se num nível elevado».

A análise revela ainda que, no total, há agora 13,7 milhões de desempregados na Europa, 1,8 milhões desde fevereiro de 2020, o início da pandemia. Este último valor, embora considerável, não tem em conta os “desempregados invisíveis” – os« que não estão registados como desempregados junto das autoridades oficiais de cada país», sublinha.

«É também necessário considerar que – e apesar da forte quebra no crescimento económico em todos os países – o aumento expectável do desemprego foi significativamente atenuado pelos programas de apoio à preservação do emprego implementados pelos Governos», adianta a COSEC sublinhando que, segundo estimativas da sua acionista «só nas quatro maiores economias da Zona Euro, estes programas protegeram 25 milhões de postos de trabalho no imediato pós-pandemia».

Desta forma, o relatório sublinha a necessidade de  empresas darem «prioridade à reintegração de trabalhadores cujos postos de trabalho foram assegurados por apoios governamentais em detrimento da contratação de novos trabalhadores, algo que se estima que comece a acontecer já no segundo trimestre de 2021».

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«A par deste facto será necessário considerar que a pandemia provocou e acelerou mudanças estruturais na economia, aumentando o hiato entre as competências dos trabalhadores e os perfis procurados pelos empregadores», o que significa que os Governos devem «apostar em medidas com foco na qualificação e requalificação», revendo também os sistemas de educação.

O estudo alerta que «o impacto negativo de um problema de desemprego estrutural não se refletirá apenas na capacidade produtiva das economias. Prevê-se um aumento do descontentamento social perante a perceção de que, mesmo perante os primeiros sinais de recuperação, o apoio à criação de emprego não está a ser suficiente e eficaz para inverter os números».

Taxa de desemprego em Portugal de 9,1% no final do ano

A COSEC recorda ainda um outro estudo, do BPI que revela que, «no caso de Portugal, em janeiro deste ano, o impacto da pandemia fez aumentar a taxa de desemprego para 7,2%, contrariando a tendência de queda dos meses anteriores».

«De acordo com a análise, trata-se uma subida de 2,7% da população desempregada face ao período homólogo, que registava uma taxa de desemprego de 6,8% – valores em linha com os verificados antes do surgimento da pandemia», adianta.

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Para além disso, a mesma pesquisa «mostra ainda que a população empregada caiu em janeiro face ao mês homólogo (-3.5%), tendência que se verifica há 12 meses consecutivos. Em simultâneo, e pelo segundo mês consecutivo, o emprego caiu em cadeia (-1.7%, ou -79,000 indivíduos), alargando a distância face ao registado antes da pandemia (-3.1% face a fevereiro 2020)».

«No primeiro mês do ano, a população empregada atingiu um total de 4 687 200 pessoas, inferior ao registado em fevereiro 2020 em cerca de 151 400 pessoas», acrescenta a COSEC sublinhando que «o agravamento das consequências provocadas pela pandemia, o lento processo de vacinação e as incertezas das empresas quanto ao futuro são as principais causas apontadas» para esta situação.

O mesmo estudo refere que as medidas de apoio ao emprego «estão a ser um suporte crucial para o mercado de trabalho, mas prevê que o término das mesmas poderá resultar numa taxa de desemprego de 9,1% no final de 2021, podendo este cenário ser atenuado com o prolongamento e reforço das medidas de apoio ao emprego e economia, entretanto anunciados pelo Governo português».

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