Desconfinamento: regresso às escolas fez-se com menos 10% dos alunos mas não faltaram professores e auxiliares

O balanço desta semana que termina, que já foi de regresso parcial às escolas, aponta para a comparência de professores e auxiliares, enquanto se verificava um nível de absentismo por parte dos alunos na ordem dos 10%, segundo um inquérito lançando pela Fenprof – Federação Nacional dos Professores.

Os casos analisados correspondem a uma amostra de cerca de 20% das escolas que retomaram atividade presencial e abrangem todo o território continental, de Monção e Mirandela a Lagos e Vila Real de Santo António. Foram também consideradas escolas do litoral (Lisboa, Porto ou Coimbra) e do interior do país (Pinhel ou Nisa).

De entre as principais conclusões, a Federação destaca que os professores compareceram ao trabalho presencial, com exceção dos que se encontram em situação de doença. Em relação aos docentes que integram grupos de risco, houve escolas que optaram por mantê-los em ensino a distância (E@D), e outras que preferiram substitui-lo, reorganizando a distribuição de serviço.

Sobre os auxiliares (trabalhadores não docentes), apurou que “apesar de ainda haver registo de carências”, a maior parte das escolas afirma contar com um número adequado às suas necessidades porque, agora, apenas respondem a uma parte dos alunos e dos espaços da escola.

A Federação chama a atenção para “situações de extremos”, por exemplo, as escolas que são sede de “mega-agrupamento” que concentram um número elevado de funcionários, o que lhes permite, promover um regime de rotatividade entre aqueles trabalhadores no apoio direto às aulas.

“Já nas escolas que são apenas secundárias ou predominantemente secundárias surgem algumas dificuldades neste capítulo, pois a percentagem de alunos presentes, relativamente ao total, é significativa”, detalha, acrescentando que a situação mais difícil foi detetada numa escola do barlavento algarvio, onde uma escola secundária apenas pode contar com 8 dos seus 20 funcionários,” o que é manifestamente insuficiente”, admite.

Quanto aos alunos, em média, as ausências rondaram os 10%, apesar de haver escolas em que a presença é praticamente total e outras em que as faltas chegam a ultrapassar os 50%.

Segundo a Federação, o número de alunos em situação de risco ou doença é baixo e os motivos alegados para a ausência são, normalmente, a falta de transporte em horário adequado; a preocupação com a situação epidemiológica e medo de contágio a familiares; e ser disciplina a que o aluno não irá fazer exame.

“Como a lei prevê, ainda que constitua mais um fator de desigualdade, há alunos que viram reduzida em 40 a 50% a carga letiva semanal prevista no currículo. Essa redução foi determinada pelo ministério como acomodação da divisão das turmas sem que, daí, resultasse a contratação de mais docentes”, afirma, em comunicado.

O inquérito permitiu ainda apurar, em relação à reorganização de horários de trabalho, que praticamente todas as escolas tiveram de proceder a alterações para compatibilizar os seus horários de funcionamento com os determinados pelas orientações emitidas para todos os estabelecimentos.

Já em relação ao serviço distribuído, são em menor número as que procederam a alterações: não vão além de 1/3 das escolas. A maioria destas considerou que não deveriam, a pouco mais de um mês do final das aulas, mudar os professores das turmas. Só em casos excecionais, por norma relacionados com situações de risco ou de doença, houve redistribuição de serviço.

Registe-se, no entanto, que, embora em número residual, houve escolas que redistribuíram serviço para evitar que houvesse docentes com aulas presenciais e, simultaneamente, por terem turmas de anos sem exame, com ensino a distância.

Foi, ainda, colocada a questão das escolas de referência para acolhimento de filhos de trabalhadores de serviços essenciais. Como acontece desde o início, são poucas as famílias que recorrem a este serviço. Há escolas em que não comparece qualquer aluno ou são apenas dois ou três os que recorrem a tal serviço. A contrastar com esse quadro, temos os alunos que se deslocam à escola para almoçar ou, quando o serviço é take away, levantar as suas refeições. Há escolas em que são muitas dezenas de alunos a recorrer a este serviço, o que confirma a sua importância para responder a famílias cujas dificuldades económicas se estão a agravar neste tempo de pandemia.

Por último, muitos professores, incluindo membros dos órgãos de gestão das escolas, confirmaram que a falta de um rastreio, com a realização de testes à comunidade escolar, não ajudou a criar um clima de confiança junto de quantos já estão a trabalhar presencialmente nas escolas.

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