O confinamento em casa na última semana apresentou a maior descida semanal desde que entrámos no período pandémico.
A conclusão é da consultora PSE. “Só na semana 19 de 2020, com o desconfinamento de Maio, e na semana que antecedeu o Natal, a variação semanal foi tão acentuada”, explica.
A segunda fase do desconfinamento, ou seja, o regresso à escola dos alunos do 5º ao 9º ano, a reabertura de esplanadas e o alargamento de horários de alguns espaços comerciais, contribuíram para esta movimentação.
Adicionalmente, os níveis de mobilidade também se alteraram. Se no período do último confinamento, nos dias úteis entre 15 de Janeiro e 12 de Março, apenas 32% dos portugueses tinha uma mobilidade elevada ou média, esse comportamento aumentou para quase metade da população (47%) na 2ªfase de desconfinamento, entre 5 e 9 de Abril.
O Índice de Mobilidade da PSE é um indicador em que a base 100 correspondente à mobilidade na situação pré-covid. Ou seja, 100 é a mobilidade “normal” antes da pandemia. Na última semana (dias úteis) este índice registou precisamente os mesmos níveis (101) de mobilidade que existiam antes do covid, como se pode ver no gráfico seguinte.

Caracterizando a mobilidade em quatro níveis diferentes, em função da distância média percorrida em cada dia, pode concluir-se que estratégia de desconfinamento “a conta gotas” teve como reflexo um claro impacto nos diferentes quatro níveis de mobilidade diária, em cada uma das fases deste desconfinamento.

No gráfico acima, pode-se ver que antes da pandemia, em média, nos dias úteis cerca de 25% da população ficava em casa. No entanto, segundo a PSE, o novo contexto social e económico (com a existência de teletrabalho, ensino à distância, população em layoff e desemprego, etc), fez com que este número aumentasse, em Janeiro de 2020, para uma percentagem média de 32%. Ou seja, a população que fica em casa todos os dias aumentou 7 a 8%, indica a PSE.
Se este quadro é o “novo normal” (todos os dias parte da população em teletrabalho, em ensino à distância, etc.), note-se que a estratégia de desconfinamento “a conta gotas” faz com que o perfíl de mobilidade desta primeira semana da segunda fase de desconfinamento seja já estatisticamente idêntico ao perfíl de mobilidade que a população tinha antes do confinamento de Janeiro.
O relatório da PSE revela ainda que ao longo de toda a pandemia, globalmente e de uma forma geral, quer no confinamento, quer no desconfinamento, as diretivas das autoridades têm vindo a ser cumpridas pelos portugueses.
“Se os fins-de-semana, com restrições praticamente desde Novembro são sempre momentos de menor mobilidade, importa olhar para o comportamento nos dias úteis para perceber a mobilidade no que ao controlo pandémico diz respeito”, salienta, acrescentado que “nos dias úteis, o confinamento aumentou na Páscoa, tal como foi preconizado pelas autoridades, não obstante algumas deslocações para fora da zona de residência, antes da Páscoa”.















