A descoberta do corpo em decomposição de uma mulher em Itália, na passada sexta-feira, fez abrir ampla discussão sobre a solidão em território transalpino. A polícia confirmou que os restos mortais de uma mulher de 70 anos foram encontrados, praticamente mumificados, na sua casa em Prestino, perto do Lago Como, no norte de Itália.
A mulher, sem parentes vivos e da qual os vizinhos não a viam ou ouviam falar dela há pelo menos dois anos e meio, foi socorrida pela polícia devido ao risco de queda de árvores no seu jardim. As autoridades garantiram não haver indícios de que a sua morte era suspeita e os custos do funeral vão ser assumidos pelo município de Prestino.
“O que aconteceu… a solidão esquecida fere as nossas consciências”, lamentou, esta terça-feira, Elena Bonetti, ministra italiana para igualdade de oportunidades e família. “Recordar a sua vida é o dever de uma comunidade que quer permanecer unida”, explicou, alertando para um problema que ‘assola’ o território transalpino – em Itália, quase 40% das pessoas com mais de 75 anos vivem sozinhas, de acordo com um relatório de 2018 do Instituto Nacional de Estatística, a mesma percentagem de pessoas que não tem parentes ou amigos a quem recorrer em momentos de necessidade.
“Precisamos parar de limitar os nossos horizontes à esfera privada e voltar a cuidar uns dos outros. Cuidar uns dos outros é a experiência das famílias, das instituições, da nossa cidadania: ninguém deve ser deixado sozinho”, finalizou a responsável política, num post nas redes sociais.





