Descoberta a primeira fuga ativa de metano no fundo marinho da Antártica

Em termos médios, o metano tem um impacto 25 vezes superior ao dióxido de carbono nas alterações climáticas. Estima-se que a Antártida contenha até um quarto do metano marinho da Terra.

Sónia Bexiga

A comunidade científica acaba de revelar ter descoberto a primeira fuga ativa de metano do fundo do mar na Antártica. Os investigadores também descobriram que os micróbios que normalmente consomem o potente gás de efeito estufa, antes dele chegar à atmosfera, não existem em número suficiente e por isso não estão a impedir que se liberte, noticia o ‘The Guardian’.

A pesquisa, publicada na revista ‘Proceedings of Royal Society B’, relata a descoberta de uma infiltração de metano a dez metros de profundidade de um local conhecido por Cinder Cones, em McMurdo Sound.

Em termos médios, o metano tem um impacto 25 vezes superior ao dióxido de carbono nas alterações climáticas. Estima-se que a Antártida contenha até um quarto do metano marinho da Terra.

Os estudos realizados ao longo dos anos indicam que existem significativas quantidades de metano armazenadas no fundo do mar ao redor da Antártica, existindo um grande risco do gás poder libertar-se pressionado pelo aquecimento dos oceanos provocado pela crise climática. Um cenário, para os investigadores, “incrivelmente preocupante”.

Porém, os cientistas admitem que a razão que terá levado a esta fuga nova infiltração “permanece um mistério”, sendo pouco provável que seja devido ao aquecimento global já que o Mar de Ross, onde foi encontrada, está muito longe de temperaturas quentes.

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A infiltração ativa foi detetada pela primeira vez, por acaso, por mergulhadores em 2011, mas os cientistas só estudaram a situação a partir de 2016.  “O atraso [no consumo de metano] é a descoberta mais importante”, disse Andrew Thurber, da Oregon State University nos EUA, que liderou a pesquisa.

“Não são boas notícias. Levou mais de cinco anos para os micróbios começarem a aparecer e mesmo assim ainda havia metano escapando rapidamente do fundo do mar”, reforçou o especialista.

A libertação de metano de áreas subaquáticas congeladas ou regiões de ‘permafrost’ é um dos principais pontos de inflexão que preocupam os cientistas, que ocorrem quando um impacto específico do aquecimento global se torna imparável.

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