Desastre de Fukushima: Jovens japoneses diagnosticados com cancro processam responsáveis pela central nuclear

Com idades entre os 6 e os 16 anos no momento do acidente, em 2011, os queixosos garantem que ficaram doentes devido à radiação

Executive Digest

Foi a 11 de março de 2011 que um poderoso terramoto provocaria um terrível tsunami ao largo da costa japonesa e este, depois, a um colapso nuclear, derretendo três dos seis reatores da central de Fukushima, no Japão. Seria, como logo se declarou, o pior acidente do género desde o desastre de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

No entanto, o “acidente” no Japão seria oficialmente considerado muito menos prejudicial para a população local, porque teriam sido libertadas quantidades muito menores de iodo radioativo. Apesar das dúvidas de muitos sobre os seus efeitos a longo prazo, no ano passado, um painel de especialistas da ONU acabou por concluir que o desastre não causara nenhum problema direto de saúde na população. Carimbava assim o relatório da Organização Mundial da Saúde de 2013, quando o painel de especialistas daquela instituição também considerou que não haveria nenhum aumento observável das taxas de cancro na região.

Só que, antes disso, em 2018, o próprio governo japonês anunciara que a morte de um trabalhador do local seria devida à exposição letal da radiação -e concordou que a família fosse compensada.

É com tudo isto em mente que agora seis jovens avançam para tribunal, convictos de que adoeceram devido à radiação a que foram expostos. Além disso, foram todos sujeitos a cirurgias várias para remover total ou parcialmente a tiróide, glândula, que já se sabe, é particularmente sensível à radiação de qualquer tipo. E nenhum, agora com idades entre os 17 e os 27 anos, tem qualquer historial familiar de cancro da tiróide.

Assim, fizeram a sua acusação entrar na justiça e pedem qualquer coisa como 4,8 milhões de euros como compensação à Tepco, sigla de Tokyo Electric Power Company, a operadora daquela central nuclear. Até agora, o único comentário que se conhece da empresa é o de um porta-voz, a dar conta da sua “convicção” de que o processo seria “arquivado”.

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