“Desajustado”, “alheio da realidade” e “insensibilidade social”: Carlos Moedas criticado após inaugurar residência estudantil com quartos de 15 m2 até 1.100 euros

A residência, no Campo Pequeno, em Lisboa, foi elogiada pelo autarca, uma vez que vem “aumentar a oferta de habitação” mas os valores pedidos mereceram críticas de diversos quadrantes

Francisco Laranjeira

Carlos Moedas inaugurou uma residência para estudantes onde um quarto de 12 m2 custa algo como 650 euros; já um de 15 m2 atira o preço para quase 1.100 euros. A residência, no Campo Pequeno, em Lisboa, foi elogiada pelo autarca, uma vez que vem “aumentar a oferta de habitação” mas os valores pedidos mereceram críticas de diversos quadrantes. Apesar disso, a esmagadora maioria dos quartos disponíveis na nova residência, sobrando atualmente quatro.

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A Câmara Municipal de Lisboa sublinhou tratar-se “de um investimento exclusivamente privado, sendo as opções definidas pelos seus responsáveis”, indicou esta quarta-feira a ‘CNN Portugal’, reforçando que a autarquia está a terminar uma residência universitária na Alameda, com 320 camas: há também outras 900 camas em projeto, embora sem prazo.

No entanto, a autarquia lisboeta não quis revelar os valores da nova residência, garantindo que “nesta fase é prematuro divulgar qualquer informação quanto aos preços a praticar”. “Certo é que esses valores serão numa lógica de oferta pública, com preços acessíveis e tendo em conta as caraterísticas da população estudantil, nomeadamente de estudantes deslocados e bolseiros”, assumiu a câmara.

As críticas não se fizeram esperar: o PS Lisboa acusou Carlos Moedas de “indiferença e insensibilidade social”, frisando que “há algum alheamento da realidade social dos estudantes”. “O quarto mais barato é quase o preço da propina anual”, referiu o bloco socialista.

Os estudantes também se mostraram perplexos com a nova residência, que tem preços “desajustados às condições dos estudantes”. Para a Federação Académica de Lisboa, os preços são “muito avultados”, garantiu Catarina Ruivo, indicando que as novas instalações só irão dar resposta a uma certa franja da população, bem como estrangeiros a cumprir Erasmus e que têm mais posses para pagar preços destes. “A grande maioria dos estudantes do Ensino Superior não tem condições para pagar estes quartos”, resumiu.

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