“Derrotaríamos a Rússia muito rapidamente”: ministro polaco diz que NATO tem “superioridade esmagadora”

Chefe da diplomacia polaca foi ainda mais longe e estimou que a NATO dispõe de cerca de 2.500 aeronaves, defendendo que existe uma “superioridade esmagadora” sobre a Rússia no poder aéreo

Francisco Laranjeira

Se a Rússia atacar a NATO, a resposta europeia poderá ser suficientemente poderosa para derrotar rapidamente Moscovo. É a convicção manifestada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Radosław Sikorski, que aponta sobretudo para a enorme diferença entre as capacidades aéreas dos dois lados.

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“Se a Rússia nos atacasse e tirássemos as luvas, penso que derrotaríamos a Rússia muito rapidamente”, afirmou Sikorski durante uma intervenção na reunião anual da Yalta European Strategy (YES), realizada em Kiev.

O chefe da diplomacia polaca foi ainda mais longe e estimou que a NATO dispõe de cerca de 2.500 aeronaves, defendendo que existe uma “superioridade esmagadora” sobre a Rússia no poder aéreo.

E sustentou que essa vantagem continuaria a existir mesmo sem a participação dos Estados Unidos.

As declarações, avançadas pelo ‘Kyiv Post’, provocaram uma resposta imediata de Moscovo e surgem num momento de elevada tensão na fronteira oriental da NATO.

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“Mesmo sem os EUA, continua a ser esmagadora”

Sikorski utilizou o poder aéreo como principal argumento para defender que o Kremlin enfrentaria custos incomportáveis caso decidisse atacar território da Aliança Atlântica.

“Temos uma superioridade esmagadora sobre a Rússia no poder aéreo”, afirmou.

O ministro estimou em cerca de 2.500 o número de aeronaves à disposição da NATO, embora tenha reconhecido não ter naquele momento números atualizados sobre capacidades específicas como os caças F-35, os mísseis de longo alcance JASSM ou outros sistemas capazes de realizar ataques em profundidade.

“Mesmo sem os EUA, continua a ser esmagadora”, acrescentou.

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A afirmação deve, contudo, ser interpretada como uma avaliação política de Sikorski e não como uma previsão independente sobre o resultado ou duração de uma eventual guerra entre a NATO e a Rússia.

Uma superioridade numérica ou tecnológica no ar não determina, por si só, o desfecho de um conflito desta dimensão, no qual entrariam fatores como defesas antiaéreas, forças terrestres, reservas de munições, capacidade industrial, logística e, no limite, os arsenais nucleares dos dois lados.

“Poderíamos fazê-lo em seis semanas”

Foi precisamente ao falar da capacidade de atingir território russo que Sikorski fez uma das declarações mais fortes da intervenção.

O ministro comparou a capacidade militar europeia com a campanha de ataques ucranianos contra refinarias e outras infraestruturas energéticas russas.

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“Se os ucranianos eliminaram metade da capacidade de refinação da Rússia em seis meses, nós poderíamos fazê-lo em seis semanas e eliminar a outra metade”, afirmou.

A frase não significa que Sikorski tenha previsto uma derrota militar completa da Rússia em seis semanas.

O prazo utilizado pelo ministro referia-se especificamente à sua estimativa sobre a capacidade europeia para atingir a infraestrutura de refinação russa.

A Ucrânia tem intensificado os ataques de longo alcance contra refinarias e outras instalações relacionadas com o setor petrolífero russo, procurando afetar receitas, abastecimento e capacidade logística de Moscovo.

Convencer Putin de que o preço seria “incrivelmente elevado”

Para Sikorski, o objetivo não passa por preparar uma guerra entre a NATO e a Rússia, mas precisamente por tornar essa hipótese suficientemente dispendiosa para impedir o Kremlin de a considerar.

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O responsável polaco defendeu que a Europa tem de convencer Vladimir Putin de que qualquer agressão contra território da Aliança teria um preço “incrivelmente elevado”.

Sikorski apontou também para a dimensão dos recursos financeiros disponíveis na Europa, salientando que os orçamentos de defesa combinados dos países nórdicos e bálticos ultrapassam o orçamento militar russo.

Ainda assim, reconheceu uma fragilidade que tem marcado o debate europeu desde o início da guerra na Ucrânia: a Europa continua sem possuir plena autonomia estratégica e militar relativamente aos Estados Unidos.

Essa dependência abrange áreas que vão além do simples número de aviões, incluindo capacidades de inteligência, vigilância, reabastecimento aéreo, logística e determinados sistemas de armamento.

Moscovo responde e acusa Sikorski de “russofobia”

As declarações provocaram uma reação da porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova.

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Segundo o ‘Kyiv Post’, a responsável acusou Sikorski de sofrer de “russofobia do cérebro” e apresentou as declarações como uma afirmação de que a Polónia seria capaz de derrotar rapidamente a Rússia.

Não foi isso que o ministro disse.

Sikorski falava de um cenário de ataque russo contra a NATO e da resposta coletiva da Aliança, recorrendo às capacidades aéreas combinadas dos seus membros.

A distinção é particularmente importante quando se analisam os números.

A Polónia, isoladamente, dispõe de uma força aérea muito menor do que a russa. A estimativa de aproximadamente 2.500 aeronaves apresentada pelo ministro dizia respeito às capacidades combinadas da NATO.

Tensão aumenta junto à fronteira polaca

As declarações surgiram ainda num contexto especialmente sensível para Varsóvia.

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No domingo, um drone russo atingiu um comboio de passageiros perto da estação de Yahodyn, junto à fronteira entre a Ucrânia e a Polónia. Os 206 passageiros saíram ilesos.

O ataque ocorreu pouco depois da passagem pela zona de um comboio que transportava várias personalidades internacionais que regressavam precisamente da conferência Yalta European Strategy, entre elas o antigo primeiro-ministro britânico Boris Johnson.

Outro ataque de drone atingiu um local próximo da fronteira polaca. As autoridades ucranianas e vários responsáveis europeus classificaram os ataques como uma nova escalada russa junto às fronteiras da União Europeia e da NATO.

É neste contexto que Sikorski procura inverter a pergunta que tem acompanhado a Europa desde a invasão da Ucrânia: não apenas se a NATO está preparada para uma eventual agressão russa, mas se Moscovo compreende aquilo que enfrentaria caso decidisse avançar.

A mensagem enviada de Kiev foi inequívoca: na avaliação do ministro polaco, a Rússia não teria condições para competir com o poder aéreo combinado da Aliança e qualquer ataque teria um custo militar muito superior àquele que o Kremlin estaria disposto a suportar.

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